A mala de todos nós, malas

porJeronimo Molina

A mala de todos nós, malas

Tinha planejado compartilhar um texto sobre vendas na crise. Na verdade o texto está disponível no meu blog para quem tiver interesse. Devido as malas de Geddel tive que escrever outro post.
Sinceramente não sei mais do que me indignar. Seria da corrupção endêmica constituída desde os tempos de Cabral (e falo do Pedro Álvares), será que poderia ser do preço inescrupuloso dos combustíveis, ou seria da forma circense que traduzem a política. Sério, não sei.

Somos todos bobos de uma corte chamada Brasil. Que em nada lembra um berço esplêndido e muito menos uma terra maravilhosa. Está mais para uma mistura de Black Mirror com The Walking  Dead (sendo nesse caso os zumbis canibais os políticos falastrãos). Perdi até a vontade de assistir House of Cards, porque a cada notícia vejo um assunto novo da bandalheira.

Agora temos R$ 51 milhões de reais escondidos em um apartamento-bunker, oriundos sabe lá Deus de onde, sabe lá para quem comprar. Poderia aqui citar item a item daquilo que pode ser comprado com tamanha fortuna. Quem sabe até mesmo ficar horrizado com o voluptuoso desvio, mas infelizmente não.

Está se tornando banal e comum o brasileiro ter uma perna passada a sua frente. Tropeçando no meio do papelório da burocracia, da enrolação do agente público, da “malemolência” do político cara de pau, na corrupção sem precedentes.

Alguns mais aflitos e atônitos diante de tamanha barbaridade clamam aos céus e aos senhores de “verde-oliva”, acreditando em libertadores. Outros comedidos se atém as postagens “faceboquianas” como forma de extravasar sua indignação. Eu (quem sabe outros) resolvo escrever “textões” no intuito que alguma alma caridosa de piedade se una a meu desalento.

Quem sabe a solução para tamanho impropério fosse cruzarmos os braços. Mas esbarramos em tempos de crise, onde cada vintém vale mais que uma mala do Geddel. Talvez chutar o balde entornando de vez o caldo da República, vai saber.

No entreato dessa comédia dantesca (no qual fazemos parte, sem dúvida, do Inferno), penso que as malas do Geddel somos nós. Reunidos dentro delas estavam todos os sonhos, vontades e desejos de cada um dos brasileiros. Nós somos as malas que abrigam aquilo que tanto queríamos.

Deveríamos nos rebelar e organizar manifestações? Talvez. Mas divididos em malas pequenas e grandes não chegaremos a lugar algum.

Correto será se formos malas raiz. Chatos. Cheios de sonhos, cheio de garra, cheios de força dentro de nós. E como seremos malas para políticos da estirpe de Geddel? Cobrando.

Ninguém quer ser cobrado. Muito menos um político. Já cobrei alguns e arrumei algumas encrencas. Outros não querem nem me ver pintado de ouro pela minha chatice.

Sim, sou o verdadeiro mala. Cutuco sem dó nem piedade. Sou pequeninho perto dos grandões, mas fico ali incomodando como um espinho no pé. E nesse momento que a coisa muda. Quando vários pequenos espinhos se unem para incomodar o este vira dor.

Essa dor pode ser semelhante a que sentimos a cada pessoa que morre na porta do hospital. Dor que vemos a cada criança sem escola. Dor que choramos a cada família vítima da criminalidade. Essa dor que político não sente.

Não estou advogando aqui sairmos agredindo políticos, jamais. Mas devemos fazer com sejamos o espinho mais chato e doído. Telefonar, ir em gabinetes, marcar publicações nas redes sociais, organizar eventos, debates. Incomodar.

Só assim eles saberão que somos malas. E não uma mala da foto da Polícia Federal.

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Jeronimo Molina administrator

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