Não consegue um bom emprego? Olhe para suas notas

porJeronimo Molina

Não consegue um bom emprego? Olhe para suas notas

Seguidamente quando ocorrem provas finais alguns alunos ficam estupefatos com sua nota. Claro, nunca de maneira positiva. Salvo algumas exceções, alunos que detém potencial incrível acabam argumentando como nunca sobre seu esforço incomensurável para atingir aquela pontuação, clamam para deuses do Olimpo, arregimentam ameaças de boicote as minhas aulas, entre outros.

Poderia ficar enraivecido com tamanha insensatez estudantil ou quem sabe esbravejar para com o modelo educacional brasileiro, que promove tais negociações entre aluno e professor, como se conhecimento fosse negociável. Quem sabe poderia dizer que a pedagogia freiriana empoderou o aluno e desarmou o professor. Mas não. Minha preocupação tem cunho social, principalmente em minha área principal de graduação, a Administração.

Quando fui empresário do ramo de autopeças sempre busquei profissionais que tivessem um plus em seu currículo,  e não era por menos. Queria quem pudesse cuidar do meu negócio assim como eu, não para desfrutar de férias no Caribe, mas sim para trazer tranquilidade e constância. Algo simples? Não. Infelizmente encontrar bons profissionais se torna cada vez mais difícil no mercado. E não falo de primores geniais na arte de vender ou negociar, mas profissionais bons somente.

Pode parecer chocante, mas cada ano que passa os jovens acabam ampliando a faixa de desempregados, isso se não bastasse a crise econômica que o Brasil passa, Em dados recentes o IBGE cravou uma taxa de 27,2% de desemprego entre os jovens (considerando idades entre 14 a 25 anos). Culpa do governo? Não somente. A culpa também é nossa. Existe uma demanda latente de oportunidades para jovens nessa faixa etária, no entanto empregadores não querem buscar essa demanda por um motivo simples: conhecimento.

Padrão de conhecimento no Brasil ficar na média, ou seja, na mediocridade. Basta saber o mínimo para seguir em frente na escala do conhecimento acadêmico. Crianças com 8 ou 9 anos, mesmo sem saber ler ou escrever acabam passando de ano pelo simples aspecto que o sistema permite. Assim se constrói saberes pela metade, culminando mais adiante em profissionais pífios e péssimos. Não existem dados a respeito do conhecimento que os alunos saem da educação básica, no entanto podemos realizar um paralelo com o exame da OAB,  a taxa de reprovação ficou em 93% no XXI Exame de Ordem. Fica a pergunta: será que o Exame estava difícil ou estariam os estudantes despreparados?

Se analisarmos com relação a outras profissões que não detém provas para seu exercício como Administração e até mesmo Medicina (deste último, somente no estado de São Paulo existe uma prova), fica mais evidente que ocorre uma banalização do diploma superior, não por seu valor de custo, mas sim por sua ampliação do conhecimento. Hoje pessoas com formação superior acabam trabalhando em funções mal remuneradas devido ao grau de conhecimento acadêmico, assim se cria um vácuo entre a saída do curso superior e o ingresso no mercado de trabalho.

A nota do jeitinho

Sempre haverá quem diga que jogar o jogo autoimposto pela sociedade é a melhor forma de crescer e obter o sucesso. Assim ficamos naquela mesma explicação: “Se ele não estudou nada e se deu bem, também posso!”. Digo sem sombra de dúvidas que pode. Entretanto o conhecimento adquirido, não somente com o intuito de atingir a aprovação no final do ano, é fundamental para encurtar o caminho. Nos tempos atuais não é somente com trabalho duro e suor na testa que se consegue crescer profissionalmente. Se não soube operar planilhas eletrônicas, entender métricas de redes sociais, compreender outro idioma e conseguir interpretar informações de maneira analítica você estará fora dos postos mais altos. Saber operar Facebook e Instagram, enviar mensagens por WhatsApp compartilhando gifs engraçados é fácil. Quero ver analisar dados extraídos de uma planilha em Excel.

Para compreender e alimentar essas informações, saindo da operacionalização mecanizada do conhecimento, devemos nos tornar alfabetizados digitais, do contrário seremos obsoletos antes mesmo de procurarmos o primeiro emprego. Dessa forma não adiantará argumentar e clamar aos deuses por uma oportunidade. No mercado de trabalho ou você sabe ou não sabe. E tenho experiência de causa sobre isso.

Quando estava em busca de meu primeiro emprego, nos meus 14 anos, coloquei em meu currículo informações que não dominava. Lembro bem: “trabalho com Excel e PowerPoint”. Na época quem conseguia manusear Excel (planilhas eletrônicas em geral) era considerado um verdadeiro ás da informática. Logicamente consegui tal emprego como estagiário em órgão público e prontamente minha chefe a época pediu: “Cria uma planilha de horas extras para mim”. Depois de alguns longos 20 minutos em frente a planilha aberta e em branco vi que não poderia pedir um jeitinho. Quase perdi meu primeiro emprego, e só não o deixei passar pois aprendi lendo os manuais do software e com a ajuda de um analista de sistemas que trabalhava no órgão.

Não há possibilidade de enrolar no mundo corporativo, se faz necessário mostrar a que viemos. Entretanto com a velocidade dos negócios, ocorrendo em todo o instante, não há mais tempo para aprendizado na prática. A forja do conhecimento deve ser cunhada antes, lá nos bancos escolares. Do contrário você será engolido pelo próprio mercado e ficará a mercê, mesmo com um diploma na mão.

Um diploma não adianta nada

Não adianta você ter um diploma e não saber nada, é preciso construir sua caminhada profissional ainda nos bancos acadêmicos. Por isso as notas das provas são uma forma de conquistar melhores posições. Hoje, com o dinamismo do mercado de trabalho, professores são antes de tudo profissionais, acabam se tornando gigantes pombos-correio de talentos. Dessa forma as notas, o empenho, o esforço são fundamentais para angariar melhores cargos.

As oportunidades estão por aí, saltando aos olhos, basta enxergar. Agora se ficar somente pensando na melhor forma de argumentar com o professor quando saem as notas finais não adiantará nada, pelo contrário. Logo, cabe não somente estudar para conquistar um diploma, mas sim para conquistar conhecimento. Realizei diversos cursos que não entregavam diplomas (muito menos certificados), mas o conhecimento que adquiri destes jamais se perderá.

Dicas

  • Se você busca crescer profissionalmente estude. Mas não estude pelas notas no boletim. Faça isso pelo prazer de estudar, sem esperar nada em troca a não ser o conhecimento.
  • Leia atentamente textos, comparações, análises e faça esforço para compreender. Se não conseguir, pesquise. Hoje temos uma ferramente maravilhosa chamada Google.
  • Saiba onde quer chegar, mas saiba que somente esforço e suor não garantem sucesso. Pense que um agricultor trabalha duro todos os dias, mas somente terá sucesso se soube aproveitar melhor a terra para o plantio.
  • Não argumente e não busque o jeitinho no mercado. Lá fora jeitinho não resolve. Pelo contrário, ou deixa você na lama ou leva para a cadeia.

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Jeronimo Molina administrator

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