Venda de produtos pode ajudar você na crise

porJeronimo Molina

Venda de produtos pode ajudar você na crise

Diversos produtos podem ser vendidos com baixo custo para ajudar você

Venda de produtos para conhecidos, amigos e familiares se torna um complemento na renda há muito tempo. Diversas pessoas acabam sempre recorrendo aos famosos catálogos como uma maneira de garantir uma grana extra no final do mês. Com a crise isso aumentou e muito.

De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD) em 2016 foram movimentados R$ 40,4 bilhões de reais feito inédito. Nesse segmento estão atuando 4,3 milhões de pessoas, praticamente se tornando um setor específico dentro do setor de vendas. Com a crise econômica e a dificuldade de garantir um emprego diversas pessoas estão indo em busca desse filão. Aquilo que antes era uma fonte de renda extra se tornou a principal renda, ou seja, uma forma da economia girar.

Aquelas pessoas sem esperança podem encontrar inúmeras vantagens na venda direta.

1) Baixo Custo

Montar uma empresa é um processo lento e demorado. Já montei duas empresas e só de lembrar a complicação com papelada, documentos e custos para abertura me deixa de cabelo em pé. Isso não acontece com a venda direta.

Para ser um empreendedor de venda direta basta a pessoa ter o nome limpo (não ter restrições em SPC e Serasa), disponibilidade de horário e vontade de crescer.

A maioria das empresas que atuam nesse segmento trabalham por meio de catálogos ou com a aquisição de estoque mínimo, algo que gira em torno de R$ 100 à R$ 1.000 reais. Se formos comparar com os custos de abertura de empresa, somente as taxas e documentações acabam girando em torno de R$ 1.000 reais iniciais.

Se caso deseja usar como única fonte de renda a venda direta você pode abrir um registro como MEI (microempreendedor individual) sendo assim um micro-negócio, desde que a empresa de venda direta permita tal registro.

2) Início Imediato

 

Graças ao baixo investimento normalmente o início se torna imediato. Não existem dificuldades para iniciar um empreendimento de venda direta. Basta adquirir junto a empresa de venda direta um kit inicial, se cadastrar no sistema dela e pronto, já pode começar a vender.

3) Treinamentos

Algumas empresas oferecem treinamentos para os novos empreendedores. Essa é uma forma de trocar experiências com empreendedores que estão há mais tempo no negócio, aprender novas técnicas de vendas, entender melhor os produtos e até mesmo ampliar a carteira de clientes.

Esses treinamentos inclusive acabam sempre trazendo algo novo para os empreendedores como uma nova coleção ou um novo produto, além de promoções para aquele ciclo de vendas.

4) Suporte na venda

Por ser um distribuidor o empreendedor de venda direta não precisa se preocupar com marketing, publicidade, logística e outros aspectos. Todas as empresas de venda direta oferecem suporte para seus empreendedores, com canais de auxílio, chat, e-mail e sites especializados para linhas específicas de produtos.

5) Crescendo com a venda

 

Existem algumas empresas de venda direita que oferecem promoções para seus empreendedores que atingem metas específicas. Outras oferecem mais descontos na aquisição dos produtos conforme a quantidade das vendas aumenta.

Ambos os modelos servem para você ter crescimento pessoal e profissional, participando de eventos ou conquistando mais clientes e com isso aumentando sua renda no final do mês.

Comece agora mesmo!

Perder o emprego não é algo bom, mesmo que você não goste de seu trabalho. Uma forma de conseguir voltar a trabalhar e garantir uma renda para você e sua família é a venda direta.

Mesmo assim existem pessoas que se incomodam com o fato de vender. Se pensarmos dessa forma não conseguiremos ver os benefícios que a venda direta tem para as pessoas e para a economia. Devemos ver que vendemos constantemente quando estamos em uma entrevista de emprego, entregamos um trabalho para nosso professor ou queremos convencer nosso cônjuge de alguma coisa.

Por isso não precisamos ter medo de vender. Apesar da crise econômica que nosso país passa as pessoas continuam consumindo. Sempre existe espaço no orçamento para alguém adquirir um produto, seja para si ou para outra pessoa. Datas comemorativas também aumentam naturalmente as vendas.

Não tenha medo e dê seu primeiro passo!


Saiba mais sobre empreendedorismo no meu Facebook.

porJeronimo Molina

6 soluções para a educação

Educação não é só com toco de giz, precisamos de soluções simples

Sai eleição, vem eleição e sempre se fala em educação. Isso acontece porque não existem soluções práticas para lidar com o problema. Acabem sempre empurrando com a barriga o problema e deixando milhares de crianças fora da escola.

Por isso listei aqui 6 soluções práticas para solucionar de vez o problema da educação. São ideias simples, algumas já implementadas, outras não, mas todas com o intuito de acabar com a falta de vagas, professores com baixos salários e falta de vontade de governantes.

1) Salário dos Professores

Todo mundo sabe que professor ganha pouco. Isso afasta bons professores da sala de aula ou leva eles buscarem outro emprego. Por isso ninguém quer mais ser professor, desanima quem já está trabalhando e os alunos ficam sem aprender.

Para resolver essa situação foi tentado criar um piso salarial para os professores da educação básica (Ensino Fundamental e Médio), mas nenhuma prefeitura consegue manter pois não dispõem de verba suficiente. Assim fica praticamente impossível um professor ter vontade de lecionar.

Como solução poderiam haver parcerias com entidades voltadas a educação, onde professores seriam vinculados a essas aliviando os cofres públicos e recebendo salários dignos. Para os professores que já tem vinculo com o poder público poderia haver uma contrapartida vinda dessas entidades, assim todos iriam ganhar bons salários.

2) Bolsas de Estudo

Construir novas escolas demanda tempo, dinheiro e processos que são lentos. Nem sempre os governantes conseguem cumprir com as promessas de novas vagas na educação simplesmente por que não tem recursos, ou não tem profissionais.

Porém o poder público pode criar bolsas de estudo em escolas particulares. Subsidia uma parte do custo e a outra parte fica com a família.

Caso essa família esteja em vulnerabilidade social parcerias com empresas podem completar o restante do custo. Se torna mais barato e possibilita para todos educação de qualidade.

3) Tempo Integral

Escolas de tempo integral são sonho desde muito tempo. Porém com o passar dos anos a ideia de educação integral acabou se perdendo, se tornando mais um “depósito” de crianças.

Modelo proposto de educação integral para o Ensino Médio é em um turno preparação para a vida com conteúdos já conhecidos dos estudantes. No outro turno preparação para o trabalho com conteúdos voltados a profissionalização.

4) Escolas do Futuro

Nossas escolas estão longe de abrigar a melhor tecnologia. Assim fica distante da realidade dos alunos e desincentivam estes a continuar estudando. Por isso a aquisição de computadores, tablets e outros aparatos tecnológicos se torna fundamental para as escolas.

Mas de onde tirar dinheiro para isso? Simples. Diversas empresas de tecnologia tem interesse em ensinar crianças e jovens programação, criar novos negócios, desenvolver soluções e aplicativos para as pessoas.

Atrair essas empresas pode levar para dentro das escolas públicas o aparato que é necessário para criar aulas mais dinâmicas e conectadas com o tempo que vivemos.

5) Infraestrutura

Hoje cada cidade tem seu modelo de escola, isso encarece a infraestrutura (construção) das mesmas. Um único modelo facilitaria a construção, pois a empresa contratada já saberia como realizar a parte básica de construção.

Isso é fundamental para evitarmos desperdício de dinheiro público, obras superfaturadas e dificuldades com acessibilidade.

Facilitaria também para prefeitos de diversas cidades, pois saberiam escolher o modelo que fosse mais adequado a sua realidade.

6) Parcerias

Para as escolas existentes poderia haver a parceria com empresas voltadas para a educação, levando não somente a manutenção do prédio, mas formas de gestão e pedagógicas.

Com novos formatos de gestão escolas essas empresas ficariam encarregadas até mesmo de oferecer desde a merenda até modernizações nas escolas já existentes, cabendo ao poder público a fiscalização rigorosa.


Quer saber mais sobre novas soluções para problemas antigos, acesse minha página no Facebook.

 

 

porJeronimo Molina

Avançar na carreira não depende dos outros

Não podemos colocar nos outros a pretensão de subir e alcançar o sucesso

Estudar bastante e se aprimorar. Essa foi a máxima para conseguir um lugar ao sol na escada corporativa. Agora são exigidas outras qualificações que vão muito além dos diplomas, títulos ou cursos. Empregadores do mundo todo querem profissionais engajados de corpo e alma no negócio, pessoas que vistam a camiseta da empresa e sofram com ela quando as coisas dão errado.

Claro, é difícil dizer isso em tempos de recessão. Com desemprego em alta e baixo consumo empresas por todos os cantos estão atrasando salários, não pagando direitos trabalhistas, não dando férias. Porém não é ficando contra a empresa que conseguiremos obter algo. Tirando do balaio os maus empreendedores (aqueles que atrasam os salários mas passam férias no Caribe), a grande maioria rala um bom bocado para manter o negócio funcionando. Por este motivo acreditar que ficando contra a empresa, torcendo para clientes desistam da compra, esperando o “grande dia” quando a mesma irá fechar as portas não adianta nada.

Por isso precisamos primeiro realizar uma auto-análise nos questionando a respeito de nosso espaço dentro daquela empresa. Se nessa auto-reflexão vermos que estamos “sobrando” é hora de partir para outra. “Ah, mas eu gosto do que faço, meu colega impede meu crescimento”. Bem, não é verdade.

Na grande maioria dos casos o seu colega de trabalho está mais preocupado em obter os resultados que a companhia está esperando dele do que cuidando de ferrar com você. Crescer profissionalmente depende de si próprio, não do espaço em branco deixado na ausência do outro. Quem vive a sombra ou a margem do colega é no mínimo medíocre.

Então antes de culpar seu colega por estar na mesma colocação há muito tempo reflita se realmente suas atitudes profissionais estão de acordo com os valores da empresa. Estão semelhantes ou iguais comece a se aprimorar, se qualificar. Mas não digo para fazer aquele curso de informática básica ou um curso de atendimento ao público, digo se aprimorar de verdade.

Faça um curso que seja apaixonado, estude com afinco e vontade sobre o tema que tem verdadeiro tesão e não se preocupe com a opinião alheia. Quer fazer gastronomia? Sem problemas. Importa na qualificação seu sonho, sua vontade. Não limite seu sonho somente com a posição que seu colega ocupa acima de você.

Também vale ressaltar que você pode crescer profissionalmente fora da empresa que trabalha. Participe de um programa de voluntários, seja influente nas redes sociais, engaje em um movimento político. Crescer não é somente sinônimo de estar no mesmo trabalho depois de 20 anos ininterruptos. Portanto a participação em outras atividades também poderá agregar a sua carreira, tanto que pode usar a experiência obtida fora da companhia dentro dela no futuro.

Cabe ressaltar que você pode usar seu próprio trabalho como trampolim para outra atividade. Seu rendimento é pequeno nessa posição? Verifique quais posições melhor remuneram e busque com afinco economizar (guardar grana mesmo!) para fazer aquela viagem ou curso que tanto deseja. Sei que hoje em dia é difícil guardar uma grana para qualquer coisa, mas um pequeno esforço compensará no futuro.

Por fim se programe. Ninguém é insubstituível, todos podem acabar sendo demitidos um dia. Portanto não basta somente se qualificar, participar de uma atividade fora da empresa ou guardar uma grana. Você precisa estar antenado no mercado de trabalho, ver os classificados mesmo que esteja empregado. Nunca se sabe o dia que irá precisar buscar um novo emprego.

E nunca se esqueça que não é seu colega que impede seu crescimento profissional, só depende de uma pessoa sair da zona de conforto e ir um busca de um novo caminho para obter o sucesso: você.

porJeronimo Molina

A pesquisa eleitoral mostrou a indignação do eleitorado

Desacreditado pelos partidos, Bolsonaro pode ser um Trump a moda brasileira

Na Paraíba: o deputado imita um fuzil com as mãos, gesto copiado nas ruas e nas redes sociais pelos bolsonaristas (Jonne Roriz/VEJA)

De fato não estamos em um momento bom. Muito pelo contrário não estamos nada bem. Seja na economia, na política, na segurança pública não faltam problemas para serem resolvidos pelos governantes. Entretanto a velocidade com que ocorrem os problemas é infinitamente maior que a ação dos governantes. Isso causa um impacto de desalento ao povo.

Esse é o terreno fértil para que surjam líderes com discurso de soluções milagrosas, respostas rápidas a problemas complexos. Em outras palavras é o discurso do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), uma mescla de atitudes duras e respostas simplistas que “colam” na mente de qualquer pessoa.

Defensor da ditadura militar — que chama de “revolução” — o deputado angaria uma legião de fãs pelo Brasil todo. Utiliza com habilidade incrível as redes sociais, postando nessa posições polêmicas. Está sempre na boca do povo, seja quando manifestou apreço ao general Brilhante Ustra ou quando critica com uma ferocidade inigualável o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ).

Apesar do apoio popular e da presença maciça nas redes sociais, diversos políticos e partidos consideram Bolsonaro uma figura caricata, sem chance alguma de conquistar o mais alto posto do Planalto. Porém estes esquecem que a sociedade brasileira mudou, tem outras prioridades. Ou seja, o velho discurso político perdeu espaço.

Novo discurso

De acordo com a pesquisa CNT/MDA realizada em fevereiro mostra um cenário confuso para as eleições presidenciais de 2018. Exemplo disso é no levantamento espontâneo dos pretensos candidatos a presidente, 58,3% dos entrevistados não tem candidato escolhido. Esse é um índice extremamente alto sabendo que estamos a pouco mais de um ano das Eleições Gerais.

Entretanto na mesma pergunta se observou um crescimento de dois potenciais candidatos que são ignorados pelos políticos ou caciques partidários: Lula e Bolsonaro. O petista aparece com 11,4% das intenções e o deputado com 3,3%, sendo primeiro e segundo lugares. Podemos assim dizer que ambos apareceram na pesquisa espontânea como preferidos na lembrança do eleitorado. Isso demonstra que o eleitor não busca uma novidade, mas sim alguém que faça alguma coisa, independente do que seja.

De certa forma o candidato para presidente em 2018 deve levar um novo discurso para o eleitor, preferencialmente que seja pragmático. O antigo modelo que enaltecia a origem pobre e ascendeu na vida não vai colar mais no eleitorado. Se faz necessário um discurso que demonstre a proximidade com o problema, com soluções possíveis e prática. Nesse quesito que Bolsonaro leva vantagem.

O deputado consegue dialogar com o eleitor pois detém em sua manga soluções práticas para problemas crônicos. Uma delas é com relação a segurança pública: na visão dele “bandido bom é bandido morto”. Isso está intimamente ligado a ideia do olho por olho, dente por dente, que ainda permanece viva na sociedade brasileira. Outro ponto é a defesa das empresas estatais como Petrobras. Infelizmente o deputado acredita que seja prioritária essa defesa, indo de encontro com a maioria da população.

Pode se pensar que este discurso atinja a população menos instruída ou com menor potencial de renda, porém é o contrário. Ainda de acordo com a pesquisa CNT/MDA, a grande maioria dos entrevistados que votaria em Bolsonaro são instruídos (20,7% dos entrevistados possuem curso superior) e tem maior renda (20,4% tem acima de cinco salários mínimos).

Na mesma pesquisa há um levantamento sobre o uso de redes sociais, deixando claro que o brasileiro utiliza em demasia estas para obter informações. A rede social mais utilizada é o Facebook (78,3%), sendo as redes sociais a maior fonte para se formar opinião a respeito de política (27,3% dos entrevistados). Assim podemos definir que o novo discurso será aquilo que é falado nas redes sociais.

Descrença

Outro aspecto que deve ser levado em conta quando se fala em candidato é a descrença que os eleitores tem dos políticos. Ninguém consegue falar de algum político com a certeza que este não tenha sido alvo de investigação por crimes. Um dado importante é que dos entrevistados da pesquisa CNT/MDA, 60,5% diz que está desanimado pois não acredita que o país tenha boas lideranças políticas. Esse pode ser outro fator que leve a uma votação expressiva em Bolsonaro.

Carregando consigo a imagem de homem ético e honesto, Bolsonaro pode conquistar boa parte deste eleitorado que não acredita mais nos políticos. Infelizmente acabou se criando no país uma ideia que todos os políticos são corruptos, com raras excessões.

Outro detalhe importante é a “independência” dele com relação a partidos. Estando em seu quarto partido, Bolsonaro não consegue ficar sob a tutela de caciques, fazendo aquilo que tem em mente. Esse dado também consta na pesquisa no qual 78% dos entrevistados não confiam em partido algum. Assim atrelar a figura do deputado como um político acima dos partidos iria angariar inúmeros votos.

Quem bate?

De acordo com a pesquisa somente haveria um candidato capaz de derrotar Bolsonaro, o próprio Lula. Seu apreço é grande em regiões que receberam auxílio enquanto ele foi presidente, podendo votar em massa no petista. Porém a rejeição ao PT é grande, principalmente nos grandes centros.

Agora existe outro candidato que pode mudar os rumos da próxima eleição. Será aquele candidato que conseguir atrelar simplicidade no discurso, ousadia nos debates e principalmente levar ao eleitor soluções simples e ao mesmo tempo ousadas. Este ainda não sabemos o nome, mas será o que levará o cargo de presidente em 2018.

porJeronimo Molina

Tampinhas podem gerar sorrisos

Como o projeto Engenharia Solidária fez para ajudar diversas entidades

Participantes do projeto, Aline Dertzbacher e sua filha Marina (Divulgação/Eng. Solidária)

Dizem que boas ações podem vir de qualquer lugar. Mas nesse caso vieram de tampas não utilizadas. Por iniciativa de uma aluna de doutorado da UCS surgiu um projeto inusitado: recolher tampinhas para reverter em recursos par auxiliar ONGs de animais resgatados. Ela já tinha participado de uma ação assim em Porto Alegre e acreditava na proposta sendo implementada em Caxias do Sul (RS).

Em agosto de 2015 começou a recolher tampinhas nos mais de diversos prédios que abrigam o curso de Engenharia da UCS, no Campus Universitário. Rapidamente os pontos de coleta de tampas de plástico se espalharam, ainda mais depois que foi criada uma página no Facebook. Então se tornou viral. O volume de tampas coletado foi crescendo e engajando diversas pessoas.

Como funciona?

O projeto funciona com a venda das tampas de plástico para uma recicladora que adquire por R$ 1,50 o quilo. Estas vão para um moinho que torna o plástico reutilizável para a indústria , sendo uma iniciativa também sustentável. Porém, para que o plástico seja moída é necessária a separação dele de partes metálicas. Assim entra em cena uma rede de apoiadores do projeto que separam as tampas de partes metálicas que não podem ser moídas.

Realizando a separação das tampas (da primeira para última foto): Darbi Prá e Rose Bedin, Jaqueline Janaína Sirena e Isabel Becker (Divulgação/Eng. Solidária)

Com o crescimento da ideia foi necessária armazenar as tampas selecionadas até que fossem vendidas para a recicladora. Neste ponto houve o engajamento da UCS que cedeu dois depósitos para este fim. Assim a separação que antes era feita nas casas dos apoiadores passou a ser realizada dentro da Universidade.

Em 2016 tiveram o apoio do Simplás (Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Caxias do Sul) para a realização de um evento de arrecadação juntamente com a Secretaria de Educação da cidade. Através de uma gincana entre as escolas infantis da cidade foram recolhidos 1320kg de tampas, algo histórico para o projeto. Além disso, o próprio Simplás patrocinou 70 coletores de tampas para espalhar em pontos de coleta pela cidade.

Rafael Zamboni, também voluntário (Divulgação/Eng. Solidária)

Hoje o projeto conta com mais de 100 pontos de coleta espalhados pela cidade e mais de 30 voluntários que se dividem em recolher tampas nos pontos de coleta e levar ao depósito, separar as tampas dos materiais metálicos, administrar redes sociais, entre outros.

Mas quem ganha?

Até novembro de 2016 houve uma arrecadação de mais de R$ 22 mil reais, sendo todos os recursos depositados na conta da ONG Proteção Animal Caxias. A partir deste ano mais duas entidades viram a se beneficiar com os recursos: Help Vira Latas e o projeto Na Rua Nunca Mais.

Mas não é somente a proteção animal que ganha com as ações do projeto. A equipe do Engenharia Solidária também realiza campanhas de arrecadação para o Lar da Velhice São Francisco de Assis, que atende idosos, e para o Hospital Geral de Caxias do Sul, além de ações para doação de sangue.

Hoje a coordenação do projeto cabe a professora e coordenadora dos cursos de Engenharia e Engenharia Química da UCS, Rejane Rech. Ela explica que as tampas são confeccionadas em polipropileno (PP) que detém um bom valor de revenda no mercado de recicláveis. Além disso, são densas e ocupam pouco volume.

Salienta que pode ser qualquer tipo de tampa plástica de garrafas pet (refrigerantes, água mineral, etc) , de produtos de limpeza, de produtos alimentícios (margarina, maionese, creme de leite) e de produtos de higiene (xampu, condicionador, etc).

Para auxiliar o projeto basta entrar em contato pelo Facebook.

porJeronimo Molina

Demissões por meio de ‘canetada’

Funcionários das farmácias do Ipam protestam com o fechamento das unidades

Funcionárias da Farmácia do Ipam diante do dilema da demissão (Jeronimo Molina/Jornal Sete)

Incredulidade. Essa é a palavra que representa o sentimento dos mais de 80 funcionários diretos das duas unidades da conhecida Farmácia do Ipam. Criada em 1961 a farmácia foi símbolo do crescimento econômico da cidade. Surgiu com o objetivo de regular os preços dos medicamentos visto a quantidade de farmácias existentes.

Com o passar dos anos se tornou uma alternativa para aquisição de medicamentos por servidores públicos -que tem descontos nas compras- e a comunidade em geral. Normalmente há diversos medicamentos que somente são encontrados nas duas unidades da Farmácia.

André Wiethaus, presidente do Ipam (Divulgação/Facebook)

Apesar disso a opinião técnica do presidente do Ipam, André Francisco Wiethaus, é pela extinção da Farmácia. Segundo ele de acordo com o Artigo 173 da Constituição Federal as unidades não fazem defesa de interesse coletivo ou segurança nacional. Se não bastasse ainda há um apontamento do Ministério Público para a transformação da Farmácia em uma sociedade anônima (SA), o que poderia acarretar em maiores despesas.

Haveria necessidade de contratação de uma consultoria para a transformação (em SA) aumentando o gasto público — disse Wiethaus.

Ainda de acordo com Wiethaus, este gasto desnecessário poderia diminuir recursos para outras áreas como saúde ou educação. Entretanto salienta que é somente uma sugestão ao prefeito Guerra, não sendo algo definitivo.

O Conselho Gestor do Ipam definiu isso como sugestão ao prefeito. Cabe ele avaliar e definir -argumenta o presidente.

Se sabe que a criação da Farmácia foi através de lei municipal, portanto seu fechamento deve ser da mesma forma. Para tanto é necessária uma lei que deve ser encaminhada a Câmara de Vereadores para votação. Porém o presidente do Ipam não quer entrar nesse tema. Alegando seu posicionamento puramente técnico diz que este assunto é da esfera política.

Medo da demissão

Os funcionários da Farmácia do Ipam tem uma visão diferente do presidente da entidade. Acreditam que a mesma, dando lucro não deveria ser extinta. De acordo com a porta-voz do movimento “Somos todos Farmácia do Ipam”, Karin Iung, que é farmacêutica há 4 anos, o balanço das duas unidades da Farmácia tem uma lucratividade acima R$ 813 mil reais.

A Farmácia do Ipam tem lucro. Não se entende o motivo para fechar — diz a porta-voz.

Karin Iung, farmacêutica na Farmácia do Ipam (Divulgação/Facebook)

Karin lamenta a falta de diálogo, salienta que além dos 80 funcionários que podem perder o emprego ainda existem os trabalhadores indiretos. Segundo ela pode ocasionar um efeito cascata em toda a população. Essa é uma verdade. Não é somente quem mora em Caxias utiliza a Farmácia, existem pessoas que vem de outras cidades em busca de medicamentos. Relata, Karin, que certa vez um cliente veio de Porto Alegre em busca de uma medicação para câncer.

Somente nós tínhamos a medicação . Eu atendi ele em um domingo inclusive— lembra.

De acordo com o balanço que tivemos acesso de fato existem diversos clientes que compram na Farmácia. Em um breve levantamento observamos em torno de 160 empresas que compram com convênio, sem contar Codeca e Samae que também utilizam a mesma com débitos em folha. Elas somaram um faturamento de mais de R$ 1,7 milhão de reais.

Na ata do Conselho Gestor que tivemos acesso é disposto como um dos motivos para a extinção da Farmácia os altos salários dos atendentes de farmácia, comparados com os atendentes da farmácia do SUS, localizada no CES. Segundo o documento existe uma diferença de até 60℅ entre os dois salários.

Para os funcionários essa diferença está atrelada aos horários de atendimento da Farmácia do Ipam. Hoje sua matriz atende de forma ininterrupta nas 24 horas do dia, de segunda a segunda. De acordo com alguns funcionários, a escala de trabalho nas duas unidades dá direito a somente uma folga mensal em domingos, sendo que normalmente os funcionários tem o descanso remunerado durante a semana.

No documento também consta que os funcionários compravam “erva mate, bombons, gelatina para suco durante o expediente”, tentando colocar que os funcionários seriam privilegiados. Karin rebate o argumento do Conselho Gestor dizendo que a compra dos bombons foi realizada como forma de homenagear os funcionários no final do ano.

Foi somente um bombom para cada funcionário. A compra deu R$ 56 reais. Se isso reflete prejuízo, a gente devolve. Sem problemas.

Um argumento dito pelo presidente Wiethaus é sobre os altos gastos dos servidores públicos com produtos da Farmácia. Segundo sua avaliação os recursos que sustentam a Farmácia são oriundos dos cofres municipais, uma vez que os servidores são os maiores clientes da empresa. Consta também na ata o exemplo de uma funcionária pública que gastou de julho a dezembro R$ 982 mil reais, “inscrita no Artigo 19”. Este artigo se refere aos funcionários que detém “cardiopatia grave, alienação mental, neoplasia maligna em atividade, síndromes paralíticas irreversíveis incapacitantes, diabete melito com evidência de comprometimento macro-vascular, doenças pulmonares incapacitantes para o trabalho, cegueira evolutiva ou insuficiência renal crônica”, sendo estes suportados integralmente pelo plano de saúde dos servidores públicos municipais, o Ipam-Saúde.

Na visão de Karin essa preocupação é infundada. Para ela o alto gasto por parte dos servidores públicos demonstra que os mesmos necessitam de medicamentos com preço mais acessível e com débito em folha, proporcionando hoje descontos em 25% nos medicamentos.

Farmácia Popular

Hoje a Farmácia do Ipam administra também a unidade da Farmácia Popular do Brasil. Em convênio entre o Município e a União, a Farmácia Popular tem por objetivo vender medicamentos de maneira unitária (por comprimidos). Com a extinção da Farmácia do Ipam, esta unidade deveria ser revista.

Segundo Wiethaus, hoje o Ipam somente administra o pessoal da Farmácia Popular e paga aluguel do prédio. Em uma potencial extinção caberia a Secretaria da Saúde resolver a questão do atendimento a população, até mesmo porque os funcionários seriam demitidos e o prédio devolvido ao proprietário.

O que pensam os servidores?

Não é unanimidade entre os servidores o apoio a extinção da Farmácia. Na visão de alguns ela tem produtos mais caros que a concorrência, para outros é uma forma de conseguir débito em folha de maneira mais simples e com desconto maior.

Para um cliente que estava em uma das unidades ele é contrário o fechamento da Farmácia. Seu Evilásio foi especialmente até a Farmácia assinar uma petição contra a extinção.

Minha mulher é servidora. Aqui sempre somos bem atendidos — disse o senhor.

Entretanto alguns servidores dizem nas redes sociais o contrário. Para Mara Santini, que se nomeia como servidora pública, deixou de comprar na Farmácia devido aos preços.

Sou servidora pública e por alguns anos deixei de comprar na farmácia do Ipam, devido aos elevados preços. Atualmente, a concorrência oferece preços mais em conta — relata em seu perfil.

O que pensam os políticos?

A grande maioria dos vereadores caxienses se posicionou de forma contrária a extinção da Farmácia. Em entrevista a Rádio São Francisco, o vereador Renato de Oliveira (PCdoB), presidente da Comissão de Saúde da Câmara, questiona a quem possa interessar o fechamento.

O deputado federal Pepe Vargas (PT-RS) que foi prefeito de Caxias do Sul (1997–2005) publicou um vídeo nas redes sociais que pergunta quais seriam os motivos do fechamento. Salienta no vídeo que a transformação em sociedade anônima não iria impactar em mais custos para o Município.

A quem interessa?

Se sabe que empresas públicas oneram os cofres públicos, porém são raros os exemplos onde empresas que tem a participação do Poder Público auferem lucro e são gerenciadas de maneira sensata. Durante anos a Farmácia do Ipam serviu como modelo para diversas farmácias em Caxias. Não é atoa que durante 56 anos permaneceu incólume as diversas crises econômicas, prefeitos, gestões e servidores.

Seu fechamento pode em primeira vista ser uma forma de livrar-se de um problema. Se evita em ter que administrar uma empresa SA, no qual dispensa de controles para impedir corrupção corporativa, emissão de papéis em bolsa de valores, entre outros. Entretanto é uma lástima abandonar uma lucratividade de mais de R$ 813 mil reais em tempos que empresas fecham as portas por não vender.

Causa espanto que esta decisão tenha sido anunciada de forma tão despretensiosa, dando margem para a dúvida em sua tomada. Em ata do Conselho Gestor, que propõem a extinção, se demonstra percepções sem debate. Uma decisão colegiada sem a colaboração dos maiores interessados: a comunidade e os funcionários.

Surgem boatos aqui e ali sobre o destino da Farmácia. Cogitam-se hipóteses. Apesar dos argumentos — com fundamento — que a mesma deve ser transformada em sociedade anônima, fica no ar a sensação de estranheza e perplexidade. Não é segredo que diversas farmácias estão fechando as portas. Outras estão com prateleiras vazias e funcionários a flor da pele.

Diante disso fica a pergunta: a quem interessa a extinção da Farmácia do Ipam?

porJeronimo Molina

A verdade por trás da máscara e da intolerância

Existem intolerâncias que não podem ser medidas ou combatidas a não ser por nós mesmos

Normalmente quando saio de casa no verão utilizo uma proteção para não ficar com o sol diretamente sobre mim. Um chapéu, um boné, as vezes até mesmo uma pasta servem para eliminar o calor escaldante. Quando uso meu chapéu estilo panamá não faltam olhos para me fitar. Poderiam ser olhos de aprovação de meu estilo ou quem sabe olhos para interpretar o motivo da extravagância. Porém infelizmente esses olhares mostram espanto e desdém. Me sinto mal a provocar tal espanto, mas não foi a única vez que senti isso.

Estudei alguns anos em escola pública e sempre acabava indo para lá e para cá com o uniforme da escola. Certo dia fui buscar meu irmão mais novo em outra escola, particular. Nem havia notado que ainda permanecia com o uniforme de minha escola. Chegando até a porta da escola solicitei para entrar na mesma. Fui impedido de entrar na escola graças ao meu uniforme que segundo a recepcionista “poderia causar problemas com os outros pais”.

São esses pequenos preconceitos que não sentimos diariamente. Muito se fala em racismo, agora pouco se fala nos preconceitos sociais, aqueles que doem nas pessoas por aquilo que elas tem. Por sorte as grandes cidades cosmopolitas não sentem em grande medida este tipo de preconceito, acreditam que cada cidadão tem seu lugar ao sol. Se a pessoa aparenta não ter grandes posses não significa que irá ficar devendo.

Já em pequenas cidades o preconceito racial é amplificado com o preconceito social. As pessoas são rotuladas pelo seu status social e financeiro, sendo agraciadas por aparentar que dispõem de dinheiro. Faça um pequeno teste: entre em uma loja mais chique apenas de chinelo e camiseta velha; o atendimento será diferente de quem veste algo mais alinhado. Só existe um pequeno detalhe, ninguém julga que isto é um preconceito.

A intolerância que não vemos

Não enxergamos intolerância em nossas pequenas rejeições, muito pelo contrário. Observe quando um grupo de jovens da periferia caminha pela rua e veja a reação das pessoas, estas automaticamente saem de próximos deles. Isto está arraigado em nosso conceito de proteção social. Fica latente que precisamos nos relacionar com pessoas de nosso meio social e evitar pessoas que não participam de nosso vínculo. Isso cria uma forma de acepção de público, rotulando aqueles que são melhores e piores que nós.

Essa diferenciação de níveis entre as pessoas criam situações onde certos são dignos de confiança e outros não, mesmo que não existam fatores ou elementos que impeçam a confiança. Podemos colocar neste mesmo cesto aqueles que rotulam as pessoas por sua herança familiar, cor da pele, linguajar, idioma ou povo. Incorremos em erro igual aos de líderes xenofóbicos, que por temerem as diferenças alheias empurram os considerados “diferentes” para fora de seu meio. Criam uma linha divisória entre os aceitos socialmente e os rejeitados.

Alex Atala, um conceituado chef que não segue padrões. (Divulgação/Netflix)

Somente os rejeitados pela sociedade se tornam novamente aceitos quando despontam acima da média. Assim se tornam influentes, dão razão ao apelido de excêntricos, quebrando barreiras. Enquanto outros tantos são relegados ao esquecimento, aos empurrões da sociedade marginalizadora. Alex Atala é exemplo, seu passado punk e seu uso de drogas fizeram ele se tornar um rejeitado pela sociedade. Depois de muitos anos e bem conceituado na gastronomia ficou símbolo da cultura de excentricidades.

Vivemos em uma sociedade segregadora, que rotula as pessoas por seus atributos financeiros e não por sua capacidade intelectual. Graças a essa segregação vemos imigrantes africanos serem enxotados quando tentam ganhar a vida nas ruas das cidades, ou quando vemos pessoas do Nordeste do país migrando para regiões mais ao sul em busca de vida melhor e encontrando preconceito devido ao sotaque.

Precisamos tirar a máscara e realizar uma auto reflexão. Precisamos observar que a mesma medida que rotulamos o próximo pode ser usada para nos rotular também. Que ao estarmos em outro país ou estado somos tão migrantes quanto aqueles que chegaram aqui. E podemos sofrer na pele por sermos diferentes.

porJeronimo Molina

Quem seria o famoso personagem “cidadão de bem”

Muitos falam sobre ser um cidadão de bem, mas será que existe?

Resolvi realizar no meu perfil pessoal de Facebook uma enquete sobre quem as pessoas votariam para presidente em 2018. Diversos comentaram sobre o tema, sendo que ficou em primeiro lugar o deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PSC/RJ). Opiniões a parte os “votos” no deputado polêmico foram o menor dos males comparados aos comentários que surgiram após a primeira divergência de pensamento.

Uma usuária indignada com o apoio maciço ao deputado comentou na postagem:

Mulheres falando que votariam em Bolsonaro é de dar pena. Aproveitem o acesso a Internet e se informem, afinal nem a mãe dele votaria nele, segundo ela mesma.

Era somente aquilo que faltava para uma simples enquete se tornar uma batalha sem fim de defesa do pretenso candidato a presidente. Alguns mais contundentes — mas educados — outros simplesmente ignorando qualquer regra de etiqueta. Entre meio de todos os comentários lia-se pessoas falando em cidadãos de bem.

Me perguntei quem seriam os pretensos cidadãos de bem e não encontrei nenhum texto ou conclusão. Fui então e busquei o conceito de cidadão. Para a Wikipedia cidadão é uma pessoa que pratica a cidadania, essa por sua vez “são os direitos e deveres de um indivíduo em um Estado”. No Brasil uma pessoa é cidadã quando tem direitos (vida, segurança pessoal, etc) e deveres (votar, cumprir serviço militar obrigatório).

Dessa forma um cidadão é quem cumpre com seus deveres e participa de seus direitos de forma única e não fragmentada, onde se abstém de certos deveres e abdica de certos direitos. Não haveria neste conceito básico de cidadão a inserção da terminologia “de bem”. Parti no devaneio de conceituar o que seria bondade e esbarrei na filosofia.

Esta denomina como bondade a ausência completa de maldade, onde “o bem fomenta o desejável a partir da empatia (a capacidade de sentir aquilo que outra pessoa possa estar a sentir)”, como diz no site Conceito De.Ter empatia é o mínimo que uma pessoa pode ter para ser considerado bom e praticar o bem.

Não há maneira de unificar os dois significados sob a mesma linha até porque são atributos não complementares. No entanto alguns insistem em aglutinar um ao outro como se fossem parentes próximos. Assim surge o famoso “cidadão de bem”, aquele que cumpre seus deveres cívicos, utiliza seus direitos sociais e promulga a bondade sempre vendo o olhar do próximo como régua para suas ações. Quase um ser oriundo da mitologia.

Supremo e onipotente o cidadão de bem apregoa aquilo que julga por ser bom, medindo através de seu ângulo de mundo o que serve ao próximo para este ser bom tal qual ele. Assim o espelho que poderia servir como régua para a construção de uma civilização mais justa é colocado sob a égide do mensageiro e não do receptor.

Assim figuras como de Bolsonaro ou seu correligionário deputado federal Marco Feliciano (PSC/SP) denominam este tal cidadão de bem como aquele que defende valores e tradições, além de imputar sua medida — na marra — àqueles que contrariam suas premissas.

Um conceito mais profundo sobre cidadão de bem pode ser retirado do site Fale ao Mundo, escrito por Suzane Frutuoso:

Por exemplo, a princípio, é de bem quem paga impostos, é honesto nas suas relações pessoais e profissionais, não desvia dinheiro, não leva vantagem. Mas e se, essa mesma pessoa, que a primeira vista parece tão correta, espanca a mulher em casa?

Sempre colocamos o conceito de cidadão de bem aos olhos vistos, ou seja, de forma ética. Quando enxergamos suas atitudes bondosas e corretas podemos mencionar e mensurar seu nível de benignidade diante da sociedade. Mas ao estar em casa, no seu canto secreto, suas atitudes não podendo ser medidas, se perde a moral e toda a pregação “moralista” de defesa tradicional.

Não é de hoje que pastores evangélicos, padres ortodoxos, políticos autoritários foram pegos literalmente com “a boca na botija”. Exemplos clássicos (que está virando lenda) foram do bispo Edir Macedo da Igreja Universal do Reino de Deus, quando na década de 1990 ensinou seus discípulos a conseguir mais dinheiro de fiéis e, do ex-senador Demóstenes Torres, que depois de pedir prisão para corruptos em plenário foi preso por desvio de recursos públicos.

Há quem diga que Bolsonaro e Feliciano são praticamente imaculados, que nunca se usufruíram das benesses do poder. Porém ninguém que defenda tais senhores observa que ambos estão como deputados há muitos anos. O primeiro está em seu sexto mandato como deputado federal e também em seu sexto partido. Já o segundo foi acusado de abuso sexual por uma ex-militante do PSC e pediu a senha do cartão de crédito dado por um fiel de sua igreja como pagamento de dízimo.

De toda forma ninguém pode ser bondoso o tempo todo, até mesmo porque somos humanos. Alguém que consiga tal façanha ou seria inumano ou fruto de criação transcendental. Temos raiva, ódio, rancor, mágoa, tristeza, avareza, egoísmo e por aí vai. Imputar a grandeza de ser inequívoco em suas atitudes é estar caminhando para o mesmo erro que levou alemães escolherem Hitler como chanceler em 1933 ou venezuelanos que votaram em Hugo Chavez no íncio dos anos 2000.

Não existe o tão famoso cidadão de bem. Existem cidadãos que devem ser livres para realizar escolhas e colher os frutos de seus atos. Quem se autodenomina como cidadão de bem ou procura tais pelas ruas deve antes de tudo refletir: até onde sou bondoso para ser alguém digno de santidade?

porJeronimo Molina

Buracos e mais buracos deixam viagem um suplício

Condições da Rota do Sol estão precárias

Buraco na Rota do Sol. (Fernando Levinski/Rádio Caxias)

“Cuidado!” e logo em seguida o estrondo: Brum! Esse é o relato de mais um buraco seguido de um desnível no meio da pista na RS-453, nomeada por Rota do Sol.

Apesar de haver tido reparos na pista para o verão, as condições da estrada que liga a Serra as praias do Litoral Norte estão péssimas. Aliada aos motoristas imprudentes as condições podem trazer mais acidentes.

Indo ao Litoral neste final de semana observei diversos pontos onde a velocidade máxima permitida era de longe uma miragem. Não havia ponto na estrada em que fosse possível trafegar sem redobrar o cuidado. Se ainda não suficiente fosse motoristas ultrapassavam em locais proibidos acreditando — quem sabe — na fuga de Arroio do Sal.

Mesmo com fluxo calmo ouve somente um caminhão que acabou caindo em uma valeta próxima da pista. Algo que não superava a condição lamentável que se encontra o trecho após Lageado Grande e o segundo túnel.

Entretanto algo inacreditável foi um enorme desnível no meio da pista próximo a Itati. Tal “rampa” notavelmente pode acondicionar ao carro asas e fazer ele decolar sobre uma “panela” logo após. Lógico que passar por ali acima de 10km/h seria uma insanidade, mas não para muitos que insistentemente davam sinal de luz para sair, literalmente voando.

Se sabe que a estrada é relativamente nova e passou por reparos há pouco tempo. Mas tal aspecto não justifica o descaso com esse investimento que saiu do bolso do contribuinte, ou seja, do nosso. Esperamos que essa estrada na caia no esquecimento igual a RS-118, sinônimo da negligência do estado.

porJeronimo Molina

Preconceito escondido por meio de culto

Agressão sofrida por pastor demonstra o discurso preconceituoso dentro de igrejas evangélicas

Altar em terreiro de Umbanda. (Jeronimo Molina/deRossi Media)

Existem inúmeras formas de acontecer preconceito. Uma palavra mal falada, ou um gesto levam ao receptor da mensagem um sinal que possa refletir segmentação. Um exemplo ocorreu com o líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago, que foi agredido por um membro de sua igreja. Em relato a polícia, o membro disse que ouviu do pastor que iria ser crucificado. Apesar da agressão os cultos ficaram mais lotados ainda, levando pessoas ao fanatismo religioso ao crerem que a camisa de Santiago poderia “curar” pessoas.

Esse fanatismo somado ao preconceito leva a situações como as relatadas por Ademir Antônio dos Santos Neves, 57, conhecido como Pai Ademir de Oxum.

Colocaram duas garrafas quebradas na entrada de casa para furar os pneus do carro quando eu fosse sair — disse o sacerdote do Templo Africano Oxum e Ogum Reino dos Orixás.

Pai Ademir de Oxum (Divulgação/Facebook)

Praticante do batuque (culto religioso afro realizado somente no Rio Grande do Sul) e candomblé , Pai Ademir afirma que o preconceito ocorreu na porta de sua casa — local que também serve de terreiro — diversas vezes. Apesar de estar na crença por praticamente toda a vida notou um crescimento nos últimos tempos, apesar da quantidade de terreiros espalhados pela cidade.

Comenta que o preconceito é maior devido aos sacrifícios de animais que ocorrem, pois muitos templos realizam esses de forma indiscriminada.

Em cada encruzilhada vemos um axé (despacho). Não é na rua que se fazem essas coisas. Existe o mato.

Outro fator segundo o religioso é o uso desmedido da religião para fins próprios. De acordo com Pai Ademir diversos líderes de terreiros não estão preparados para “darem consultas”, fazendo assim um gigante mercantilismo do “jogo de búzios”. Relata que em alguns casos pessoas perdem muito dinheiro e não recebem as respostas necessárias.

Atuando como pai de santo há muitos anos, ele — que incorpora como médium o Exu Capa Preta — diz que recebe muitos ex-pastores em seu terreiro. Argumenta que sua religião recebe todos, não fazendo distinção de pessoas com base nas escolhas da vida. No entanto enfatiza que seus “filhos” — como denomina os membros de seu templo — são todos muito bem selecionados.

Aqui só tem gente selecionada — reforça.

Sua experiência com o preconceito vai além da questão religiosa. Lembra que certa vez ao necessitar comprar um produto em uma loja da cidade não conseguiu pois não teve sua profissão considerada.

Quando disse que era pai de santo ficaram de risadas e se cutucando. Daí não consegui comprar nada.

Não é somente em lojas que o preconceito cresce. Uma das maiores denominações evangélicas a Igreja Universal do Reino de Deus no início de 2015 criou um grupo denominado como Gladiadores do Altar. Este grupo tem por objetivo criar uma ordem interna na igreja para preparar jovens a serem pastores com inclinações ao militarismo. Após diversas críticas a Universal aparentemente desistiu da criação do grupo, porém ainda acontecem em seus cultos referências as religiões de matriz africana e homossexuais de maneira preconceituosa. Fomos até a sede da igreja Universal em Caxias do Sul para saber mais a respeito do pensamento da igreja quanto ao preconceito, mas nos informaram que os pastores não poderiam dar declarações ou entrevistas.

Por parte dos alguns evangélicos

Porém nem todos pastores concordam com as práticas da igreja Universal. David Scherdien Santos que é pastor da Igreja Batista da Comunhão e presidente do Conselho das Igrejas Evangélicas de Caxias do Sul explica que existem diversas denominações dentre os evangélicos.

Pastor David Santos (Divulgação/Facebook)

De acordo com Santos existem igrejas protestantes, pentecostais e neopentecostais, tendo neste último grupo igrejas como Universal, Mundial do Poder de Deus e Internacional da Graça.

Não existe uma forma única de pensamento dentro dos evangélicos. Não é igual aos católicos ou umbandistas. Existe uma linha média que nos une, mas existem muitas diferenças — argumenta.

Santos atribui o preconceito por parte de algumas denominações evangélicas a falta de conhecimento. Salienta que existem pastores com apenas o Ensino Fundamental, muitas vezes sendo analfabetos funcionais. Isso faz com que exista um distanciamento do entendimento em agregar pessoas com perfis diferentes nas igrejas.

Aqui em nossa comunidade temos homossexuais, transsexuais. Não impedimos ninguém de participar. Isso porque a mudança ocorre em Jesus.

Para o pastor batista existe um sincretismo entre as igrejas neopentecostais e os cultos africanos. Essa relação está na condição de trabalhos feitos em terreiros serem ‘desfeitos’ em igrejas como Universal ou Mundial. Lembra que um “trabalho feito com uma galinha em um terreiro é desfeito com sal grosso em um culto” nessas igrejas.

Divisões nos evangélicos fomentam preconceito

Na visão do pastor as igrejas evangélicas também sofrem preconceito graças a essas divisões internas. Essas divisões elevam o fanatismo religioso e mais preconceito para com as minorias. Ainda denuncia dizendo que muitas igrejas trabalham com o que chama de “cobertura espiritual”.

Essa cobertura segundo ele funciona semelhante a um sistema de pirâmide onde as igrejas elencam 12 pessoas para coordenarem uma célula em referência aos discípulos de Jesus. Cada um deste grupo tem por objetivo elencar outras 12 pessoas e assim sucessivamente. Cada elencado coordena uma célula e obtém o preceito de líder espiritual.

Ainda segundo o pastor, aquele que faz parte das células delega suas decisões de vida para o coordenador da mesma, a essa delegação se dá o nome de cobertura espiritual. Seria uma forma de impedir o livre arbítrio das pessoas pertencentes a estas células, tornando as mesmas susceptíveis as ordens do coordenador, em outras palavras, a terceirização da fé.

Mesmo enfatizando que a igreja batista crê no casamento heterossexual, na família e nos dogmas cristãos contidos no Novo Testamento da Bíblia, ainda permite que pessoas com outras crenças frequentem seu templo, sem preconceitos. Porém reforça que as pessoas seriam alteradas aos poucos pela influência de Jesus.

Pode ir no terreiro de Umbanda um dia e noutro dia vir aqui em nossa comunidade. Mas aos poucos a pessoa irá se transformar pela vida de Jesus.

Onde está o preconceito

Sabemos que o preconceito religioso é muito antigo. Romanos perseguiam cristãos antes da conversão ao cristianismo de Constantino, logo depois a Igreja Católica perseguiu pagãos, bruxas e médiuns levando eles a fogueira, e agora vemos umbandistas sendo perseguidos por evangélicos radicais.

Não podemos estipular uma origem para o preconceito, mas todos podemos dizer que grande parte dele se origina pela falta de enxergar o lado do outro. Normalmente nós pensamos somente em nossas mazelas pessoais e esquecemos que existe do outro lado uma pessoa com mazelas iguais ou piores que as nossas.

Na ânsia de buscar por respostas aos nossos problemas acabamos por vezes deixando nas mãos de sacerdotes nossas próprias decisões, levando a potencializar nossas diferenças. Deixamos de lado o livre arbítrio e começamos a perseguir nossos próprios fantasmas através de grupos diferentes.

Infelizmente existe o preconceito religioso porque não enxergamos que há mais semelhanças que diferenças entre todos nós, sendo a principal delas é que somos antes de tudo humanos.


Colaborou com essa matéria: Roberta Krewer Molina.