Cuidado com as promoções enganosas

porJeronimo Molina

Cuidado com as promoções enganosas

Nem sempre promoções são um bom negócio para o consumidor

Caminhando pela rua você enxerga aquele enorme cartaz dizendo que existe uma promoção. Você entra na loja, escolhe o produto em promoção (lógico!) e vai até o caixa para pagar. Assim descobre a surpresa, não era bem uma promoção.

Essa realidade acontece sempre com pessoas que adquirem produtos em suposta promoção. Infelizmente estas tem o intuito de enganar o consumidor e atrair mais vantagens para o comerciante que está preocupado somente com aquela compra. Vemos que essa prática está em diversos segmentos, principalmente telecomunicações e alimentação.

Exemplo prático são as promoções de operadoras da telefonia. Após adquirir a GVT em 2016, a Vivo que pertence a Telefônica anuncia seu pacote de banda larga fixa com franquia de 50 mbps por incríveis R$ 79,99. Claro que o consumidor menos avisado não observa as letras miúdas no próprio site da operadora que o valor total do combo é de R$ 209,88 por 12 meses. Ou seja, demonstram somente o valor do produto “banda larga” e colocam em letras pequenas o valor total daquilo que o cliente irá receber.

Site da Vivo anunciando banda larga por R$ 79,99 ao mês. Detalhe nas letra pequenas. (Reprodução/jornalSETE)

Outro exemplo de promoções enganosas são aquelas em supermercados com a deixa “pague um, leve dois”. Muitas vezes um produto acaba sendo vendido por mais que o preço original. Sem contar as promoções de marcas diferentes para produtos de mesmo fabricante, como ocorre nos Supermercados Andreazza em Caxias. Se observa nas prateleiras somente duas marcas de café, por exemplo. Isso impede que o consumidor consiga diferenciar o preço convencional da promoção.

Mas não para por aí! Existem promoções referentes a gratuidade na aquisição de determinado produto, o legítimo “na compra de 10 leve 5 de graça”. Puro engano. Um exemplo vem do Habib’s, no qual alguns clientes se queixaram da promoção que oferece na compra de 20 esfirras você leva 30 unidades. Apesar do preço do produto Bib’sfiha estar no cardápio com o preço de R$ 0,98 centavos, no momento da compra utilizando essa promoção o preço unitário passa para R$ 1,98, ou seja, com mais de 100% de acréscimo.

Site do Habib’s anunciando a promoção (Reprodução/jornalSETE)

De acordo com o site do Procon de São Paulo, quando acontece divergência de preços o cliente deve seguir o artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor, onde se deve exigir o preço, aceitar outro produto ou serviço por valor equivalente ou ainda receber o valor indevido de volta. No entanto não existe uma orientação específica para promoções. Dessa forma cabe ao consumidor ficar atento com relação as promoções, para não cair em golpes ou armadilhas. Assim evitamos levar gato por lebre.

Contatos

Entramos em contato com a direção dos Supermercados Andrezza para perguntar sobre a prática de promoções em suas lojas, mas não retornaram nossas diversas ligações.

A assessoria de imprensa do Habib’s divulgou em nota que a promoção “Compre 20, leve 30” é uma promoção nacional. O preço nacional do produto Bib’sfiha é R$ 1,98 real. Entretanto na cidade de Caxias do Sul há uma promoção local tornando o preço R$ 0,98 do salgado sabor carne, tornando as duas promoções não cumulativas.

Leia a íntegra da nota:

Em resposta ao seu questionamento, informamos que, atualmente, temos em vigor uma campanha nacional ‘Compre 20, leve 30’, que é, obrigatoriamente, praticada pelos restaurantes e válida para todos os sabores salgados de Bib’sfihas, que têm preços distintos.
No entanto, as regionais da Rede, entendendo os mercados e características de onde estão inseridas, podem praticar promoções locais como um benefício diferenciado aos clientes. Neste caso de Caxias do Sul, a regional optou por uma promoção, específica, para a Bib’sfiha sabor carne. O preço de cardápio que é de R$ 1,98, com a promoção, passa para R$ 0,98.
Ficam, então, válidas, por tempo determinado, as duas promoções, de maneiras distintas e não cumulativas, conforme comunicação das respectivas campanhas.

Atenciosamente,

Assessoria de Comunicação.

porJeronimo Molina

Demagogia deve estar em prol da política?

Precisamos ver além dos olhos do marketing político e sentir as reais intenções de nossos líderes

O prefeito de São Paulo João Doria se vestiu de gari para varrer algumas folhas próxima a Praça 14 Bis. A ação foi mais marketing para seu novo projeto chamado Cidade Linda. Prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella também realizou ação assim doando sangue. Apesar de ação demagógica, se observarmos do ponto de vista da publicidade está correta.

Houveram críticas (algo que seria óbvio) por usar um preceito da antiga política. Entretanto outros políticos também já se utilizaram dessa prática: caminhando na rua, andando de bicicleta, comendo pastel e tomando café em padaria. Isso é normal para a política brasileira e mundial. Não são raras as fotos de Barack Obama servindo em restaurantes comunitários ou cantando para um público de pessoas comuns.

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Para isso dispomos um nome: exposição da imagem. Criar uma aura de simplicidade em torno de sua imagem torna o político parte da comunidade onde ele está inserido. Essa aproximação faz com que a própria comunidade se enxergue no político e este possa tomar decisões de maneira mais livre. Diferente os políticos europeus que por força das circunstâncias pegam metrô e compram em supermercados. De fato lá os políticos são exatamente como pessoas comuns. Não é atoa que a câmara baixa na Inglaterra se chama Câmara dos Comuns.

Mesmo sabendo que tais ações são de marketing político, partidários de certos políticos defendem esses feitos simplesmente por concordar com o político. Voltando ao prefeito de São Paulo, não sobraram críticas a ele por vestir-se de gari usando um sapato da Osklen. Entretanto o ex-prefeito Fernando Haddad andou de bicicleta, caminhou pelas ruas, entre outras ações similares.

Tanto um quanto o outro são demagogos. Segundo a Wikipedia (que determina conceitos enciclopédicos básicos) demagogia é a arte de conduzir o povo, “no qual existe um claro interesse em manipular ou agradar a massa popular, incluindo promessas que muito provavelmente não serão realizadas, visando apenas a conquista do poder político”.

Sua utilização conduz as massas a reflexão seletiva: “meu político favorito é melhor que o seu”, diz o incauto. Torna a política (seja partidária ou não) em algo mais parecido com times de futebol, alegando virtudes em um simples gesto de propaganda. Enquanto isso, políticos de todas as estirpes envaidecem seu próprio ego, na busca de outros elementos que façam a movimentação da imprensa e do público.

Prova disso é a rápida preparação de um local para a aparição pública de algum político. Calçadas limpas, bueiros tampados, grama cortada, sistema de som. Se duvidar aparecem seguranças e cordão de isolamento. Todo circo armado para nós, palhaços adestrados, ficarmos sorrindo e dizendo: “olha ele é do povo!”.

Não deveríamos nos espantar quando um político utiliza o transporte público, ou varre uma calçada, ou anda de bicicleta, doa sangue, come pastel e toma um pingado de café com leite. Políticos não são seres de aura pura, pensamento refinado e intenções santificadas. São humanos como nós mesmos.

Em Caxias do Sul na década de 1980 o prefeito chamava a atenção. Não por sua fala simples e comedida, mas, Mansueto Serafini Filho eleito pelo PTB caminhava todos os dias de sua casa até a prefeitura a pé. Demagogia? Felizmente não. Segundo ele próprio o fazia porque gosta de caminhar. Não foram raras as vezes que após sua jornada diária como prefeito tomava café em um bar no caminho para casa.

Tais ações precisam ser naturais aos nossos olhos, não algo incomum. Ser político é antes de mais nada ser um cidadão comum, que abdicou parte de seu tempo para cuidar da comunidade. Quando damos mídia para ações de marketing político estamos indo na contramão disso, incentivando para mais demagogia.

Precisamos ter olhos bem abertos, pois o demagogo acaba jogando para a torcida e pode levar tudo a perder se querer fazer tudo aquilo que todos querem.

porJeronimo Molina

Como a educação no Brasil influência na competitividade

Um aluno chega na sala de aula e senta na última fileira. Pega de dentro de sua mochila um celular de último tipo e abre o Facebook. Posta a frase cabal do desalento de qualquer um em dia de chuva “que tédio!”. Para completar tal jargão soma-se uma foto sua com uma legítima cara de choro.

Infelizmente essa é a realidade nas escolas brasileiras: um misto de preguiça, má vontade, e desânimo de todas as partes. Ocorre tal fato não somente pelo já esmiuçado aspecto da falta de recursos por parte de governantes — ou empresários, diga-se — para adequar infraestrutura e remunerar melhor professores. A situação acontece pois infelizmente no Brasil se criou a cultura daquele que não estuda “se dá melhor” na vida, seja ela profissional ou pessoal.

A mudança de paradigma não aconteceu há poucos anos, muito menos graças a ascensão de Luís Inácio Lula da Silva para presidente da República estimulou essa estapafúrdia ideia. Foram anos a fio de líderes pobres de conhecimento acadêmico, mas com excesso de “malemolência” para driblar o cotidiano brasileiro.

A famosa habilidade do jeitinho foi incorporada aquilo que chamamos de common sense, então começamos aplicar a premissa de Gerson a todos os aspectos, inclusive aos educacionais.

Da fila furada à prova de matemática, o diálogo ficou mais importante do que o próprio conhecimento, tornando a sala de aula em ambiente de debates acalorados com doses cavalares de teses de redes sociais. Houve uma quebra na relação de aprendizado, onde os melhores (ao menos para nós, brasileiros) são aqueles que melhor se posicionam a respeito de qualquer assunto, tal qual um erudito, sem nem mesmo deter um simples certificado de Ensino Médio.

Intuito de diversos “pensadores” pedagógicos e professores ideológicos levou nossa educação aos patamares risíveis que vemos hoje. De acordo com o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), nosso país ficou com a terrível classificação de 66° lugar em conhecimentos de matemática para estudantes na faixa de 15 anos. Ou seja, estamos bem longe de países de destaque.

Esse estudo realizado pela OCDE demonstra aquilo que professores vivenciam diariamente nas escolas. Alunos desinteressados, escolas com infraestrutura precária ou subaproveitada, falta de motivadores por parte de gestores educacionais, entre outros.

No entanto a capacitação dos docentes no Brasil é razoável, graças a força da lei. De acordo com pesquisa realizada pelo INEP com base nos dados do Censo Escolar, em 2014, 86,5℅ de todos os docentes tem curso superior. No entanto apenas 56,4℅ atuam como professores na sua área de formação. Esse dado reforça que os professores cursam o Ensino Superior com o objetivo de obter a titulação, não importando a área de atuação em sala de aula.

Em se tratando de cursos de pós-graduação não há interesse. Devido à baixa remuneração aplicada aos professores fica a especialização em um horizonte distante. Segundo dados da mesma pesquisa, apenas 30℅ tem especialização, 1,8℅ mestrado e 0,3℅ doutorado. Reflexo do descaso do senso comum que o conhecimento não gera frutos financeiros irrompe na baixa qualificação do corpo docente. Há dessa forma uma limitação em conquistar os alunos fruto do distanciamento da formação com a atuação.

Com alunos desinteressados, professores mal remunerados e mal preparados o argumento que o famoso jeitinho atrai mais vantagens cresce. As aulas se tornam um “balcão de negócios”, onde aluno e professor discutem (sem nenhum pudor) qual seria a nota mais justa. Determinada pelo modelo pedagógico de Paulo Freire, onde o aluno aprende por termos por ele conhecido, a vida em sala de aula se tornou um “circo de horrores”, no qual o professor não consegue exprimir parte do conhecimento graças a falta de compreensão do aluno. Em outras palavras, institucionalizou que o aluno seria um tolo, e este acabou por ser mais tolo ainda.

Distante da ideia preconcebida de que em outras nações os alunos estão condicionados a realizar atividades tecnocráticas, o ensino moderno prioriza a busca pelo conhecimento. Ou seja, nada vem pronto, mas deve ser buscado. Tal atitude surgiu após o crescimento da internet, onde o acesso da informação se tornou básico. Apenas com um clique qualquer um pode aprender algo de forma gratuita, sem tutores ou eruditos. Famosa na história, a biblioteca de Alexandria está agora na palma da mão.

Mas por que os estudantes não buscam a informação? Simples, graças ao modelo de Freire de ensinar o estudante brasileiro não consegue utilizar as tecnologias. A banalidade de realizar uma pesquisa na internet pode se tornar um martírio para aquele estudante acostumado a utilizar somente sua experiência pessoal como fonte de conhecimento. Se limita a busca pelo novo deixando estudantes com potencial gigantesco a mercê do analfabetismo funcional. Perdem-se talentos constantemente graças a premissa do limitador de mediocridade que se estabeleceu.

Dessa forma o Brasil perde em competitividade econômica. Enquanto outros países como Iraque, Líbia e Afeganistão falam inglês aprendendo pelo Duolingo, brasileiros escrevem (e falam!) “tive uma probrema” (sic). Assim empregadores desistem de contratar mão de obra mais jovem devido a incapacidade de utilizar as ferramentas tecnológicas juntamente com o conhecimento adquirido em sala de aula. Preferem contratar profissionais mais velhos, que mesmo distantes da tecnologia, ainda apresentam a vontade de buscar conhecimento.

Não é dinheiro que mudará a educação no país, muito menos uma crítica sobre a não compreensão do que seria uma PEC. A mudança passa por outra quebra de paradigma, no qual o agente de transformação da sociedade é o estudante. Este para desempenhar bem seu papel deve obter o conhecimento acadêmico proveniente de um professor bem remunerado e bem preparado, com largo reconhecimento de seu currículo. Sem esquecer que o aluno deve ter a ambição de crescer por sua capacidade de aprendizagem, usando as novas tecnologias para obter informações de cunho pessoal. Tudo isso permeado pela ideia que jeitinho não traz emprego, quem traz emprego é a escola.

porJeronimo Molina

O secretário de Segurança do RS e sua piada pronta

Acreditamos que tenha sido de maneira equivocada, mas o secretário de Segurança do RS, César Schirmer disse em entrevista ao Diário de Santa Maria que

“ou eles entram para o jogo e colocam segurança 24 horas, ou então nós vamos ter de proibir caixa eletrônico. É muito cômodo para o banco colocar o dinheiro ali, disponível no caixa”.

O aviso foi aos bancos que na visão do secretário lucram em demasia e em nada fazem para a segurança da população em seu entorno.

Partindo deste pressuposto o ex-prefeito de Santa Maria credita a responsabilidade da segurança pública a entes privados, na premissa que bancos — tal qual empresas — devem realizar sua própria segurança ou ficar a mercê da criminalidade.

É prática comum nos secretários de Segurança do RS empurrar para o contribuinte a responsabilidade de sua própria segurança. O ex-secretário anterior a Schirmer sugeriu que a população andasse armada ou ficaria exposta a criminalidade. Se não bastasse o governador José Ivo Sartori (PMDB) disse em entrevista que estava alegre pela redução nos casos de homicídio, não lembrando dos aumento dos casos de latrocínio (roubo seguido de morte).

Deixar a população a própria sorte ou creditar a terceiros papel fundamental do estado é a demonstração que nada mais resta a fazer, somente lamentar. Por entre linhas deixa claro a população que estamos esta ficará em pouco tempo a própria sorte, tal qual uma terra sem lei.

Pensando dessa forma por que há então um governador ocupando espaço no Palácio Piratini? Se a população deve “se virar” a se defender da criminalidade, ir atrás de remédios por conta própria, se educar por conta e risco, e quem sabe até mesmo criar milícias para defender seu patrimônio.

Existe uma ineficácia do governo Sartori em lidar com problemas, empurrando com a barriga situações como o salário parcelado dos servidores públicos, um banco estatal que está praticamente sem recursos, extinguindo fundações e com isso empurrando para o desemprego mais de mil pessoas.

Se o estado do Rio Grande do Sul está a beira de um colapso graças ao antigo governador, não havia tido tempo suficiente para organizar a casa em dois anos? Haveria ter sido pego com as “calças curtas”. Seria ingenuidade pensar que não sabia das condições calamitosas que se encontrava o RS, entretanto aceitou o desafio creditando a solução a mágica de reduzir os juros da dívida com a União, algo que somente veio agora no final de 2016.

No próximo ano começam as articulações para os próximos candidatos ao governo do estado, e esperamos sinceramente que sejam breves, até mesmo porque, quando vemos que o governante não mais governa, precisamos ainda dele?

porJeronimo Molina

Assédio moral e o chefe que não sabia demitir

Vivemos tempos complicados em diversas áreas. Desemprego, crise econômica, falta de clientes, vendas em baixa. Tudo isso pode ser fator para as pessoas estarem agressivas, radiciais e preocupadas. Não é sem motivo. Boa parte dos brasileiros não observa uma mudança na economia, pelo contrário acredita que vá piorar.

No entanto tempos como estes que passamos podem servir de desculpa para chefes autoritários mostrarem a que vieram. Ordens absurdas, comentários maldosos, preconceito e principalmente ameaças fazem parte do cenário onde diversos trabalhadores convivem diariamente. Tais aspectos são respaldados com a premissa que graças ao desemprego o trabalhador irá submeter-se a qualquer situação. Sabemos o mal que isso causa, indo da depressão até o suicídio.

Muitas vezes o chefe utiliza destes artifícios para coagir o empregado no intuito de demiti-lo por justa causa ou para dar uma justificativa para a demissão. Em outras ocasiões o encarregado se aproveita da fragilidade emocional que todos enfrentamos para obter vantagens as custas do funcionário.

Seja qualquer situação o trabalhador não pode deixar ser coagido pelo seu empregador. Existe uma relação de respeito entre ambas as partes, cabendo cada uma exercer seu papel de maneira onde a sinergia prevaleça. Do contrário poderá ocorrer problemas para a empresa e para o empregado, sendo a primeira obrigada a pagar indenizações e perder clientes e o segundo ficar meses afastado sem conseguir outro trabalho.

Nestes momentos de crise se deve dar voz a líderes que cativam os trabalhadores, assim todos poderão sair ganhando.

porJeronimo Molina

A lista da Odebrecht e o medo do governo Temer

Sempre houve um certo fantasmas quando começassem as famosas denúncias da Odebrecht, primeiro porque diversos políticos se usaram de dinheiro da empreiteira, segundo porque poderia levar a grande maioria a ficar sem mandato por muitos anos. Se existem coisas que políticos profissionais não gostam é ficar sem dinheiro e sem mandato.

No entanto quando o receio pairava como um fantasma somente ainda estávamos no governo Dilma, ou seja, poderia se usar a queda da ex-presidente como um bode expiatório de ocasião. Agora não há mais essa possibilidade. O governo Temer já está aí, realizando reformas importantes (e impopulares), com a corda no pescoço e preocupado com a opinião pública.

Todos no Planalto sabem que as manifestações são um balizador importante para a permanência no poder, isso porque o Povo acordou e agora participa ativamente das decisões políticas pressionando os governantes. Com isso em mente a espiral descendente até o fundo — literal — do poço pode levar o governo Temer inteiro para o buraco, perdendo o poder. Se existe algo pior que perder mandato e dinheiro, para um político, perder poder é algo inimaginável. Ter poder poderá trazer dinheiro e com isso mais poder.

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Mesmo com as previsões que vão desde Carlinhos, o vidente, até a consultoria política Eurásia, Michel Temer não irá renunciar. Somente ocorreria se a opinião pública ficasse totalmente contra a todos seus pacotes, algo que não irá ocorrer, por enquanto. Hoje a grande maioria dos movimentos populares como MBL e Vem Pra Rua são a favor do governo. Pode parecer estranho que escondam a corrupção do PMDB e escancarem do PT, mas infelizmente é assim.

Ainda lá em meados de maio o secretário especial Moreira Franco — Angorá para a Odebrecht — conversou com o líder do MBL Renan Santos para utilizar o potencial do movimento a fim de tornar as reformas mais palatáveis. Em parte conseguiram: desviaram o foco da crise que havia sido criada no centro do governo para o Congresso. Incentivados pelo potencial afastamento de Renan Calheiros pelo STF motivaram milhares irem para as ruas pedir sua renuncia como presidente do Senado. Bem, o tiro saiu pela culatra.

A Reforma da Previdência gerou uma revoltar popular gigantesca, isso porque a despeito da corrupção generalizada que influencia de maneira distante, a Previdência influencia no cotidiano da população. Se observou que o MBL não era o parceiro ideal para dizer ao Povo que a reforma é uma boa ideia.

No meio disso surgem as denúncias de um ex-lobista da Odebrecht, fazendo com que o plano de tornar mais palatáveis as reformas tenha caído por terra. No entanto Temer quer criar uma agenda positiva com programas antigos como nomes novos e com programas novos. Essa ação tem por objetivo mitigar os números que serão divulgados no próximos dias: inflação e PIB. Ambos péssimos.

Ainda não vemos sinais de desespero na cúpula do governo Temer, longe disso. Porém, em entrevista recente o presidente mencionou que não tem medo de popularidade, que o objetivo dele era conduzir as reformas. Bem, não foi isso que vimos diversas vezes em seu curto mandato de cem dias. Portanto começam agora pequenos sinais, semelhantes em conteúdo, com o governo Dilma. Isso demonstra que o medo ronda o Palácio do Planalto.

porJeronimo Molina

Liberais de cobertura, de apartamento, longe da realidade

Alguns dos novos pensadores vivem em outro mundo do resto das pessoas

Não me julgo desprovido, pelo contrário. Graças ao esforço de meus pais tive uma educação adequada, consegui com meu esforço concluir a graduação e pós-graduação, conquistei trabalho.

Entretanto nunca tive uma vida luxos: contínuo usando ônibus, o salário não chega ao fim do mês, e o supermercado só fica cada vez mais caro. Ou seja, não sou um agraciado pelas benesses do sustento fácil. Como diz na gíria “tive muita correria” para fazer as coisas acontecerem.

Esse aspecto de necessidade mesclada com vontade me conduziu a me tornar liberal. Mais por convicção do que pelos livros. Não posso me julgar um conhecedor profundo de Escola Austríaca, muitos menos de Hayek ou Friedman. Agora algo que conheço se chama realidade.

Ver pessoas sofrendo ao pagar impostos, para criar seu pequeno negócio, ter que estudar, pagar um plano de saúde, abrir uma conta em banco. Isso me comove e me impulsiona a lutar por mais liberdade para aqueles que me cercam.

Infelizmente a grande maioria daqueles que hoje articulam palestras, proferem em universidades ou organizam os famosos “clubes” vivenciaram muito pouco da vida real nua e crua do cidadão comum.

Viver em comunidades, acordar bem cedo para ganhar um salário pífio — no qual é roubado parte pelo Estado e parte pelo assaltante — onde se tem um mínimo de dignidade ao sentar diante da TV e ficar sabendo do novo escândalo de corrupção.

Ora, tais “liberais” vivem em universidades apregoando, mas raramente pisam em escolas públicas, recheadas de estudantes sedentos por conhecimento. Para estes, não seriam o público alvo. Preferem aqueles distantes das periferias.

Os ditos “liberais” posam em fotos dentro de eventos grandiosos, onde o pequeno empresário dono da carrocinha de cachorro-quente não tem acesso. Tiram selfies em palestras em New York, São Paulo ou Paris, algo distante para o estudante do bairro pobre. De uma forma avessa reproduzem o que condenam, dividindo em castas ou classes a população.

Dessa forma, falta muito para os tais “liberais” saírem das coberturas, apartamentos e salas acarpetadas com ar condicionado. Falta muito para aprenderem que a realidade de grande parte do Povo é outra.

Logicamente existem liberais de fato. Perdidos entre meio a um mar de filósofos “faceboquianos”, ou militantes de egos. Normalmente esses liberais de verdade tem concedidos adjetivos como “loucos”, “radicais” ou “desconectados”. Estes esbravejam mais vida real para os “liberais” de cobertura. Eu iria mais além, acredito que necessitam mais Povo.

porJeronimo Molina

Deputados votam o fim da lava-jato

Sabemos que impunidade é reinante no Brasil atual. Não é para menos. Legisladores se defendem de acusações de crimes todos os dias nas tribunas dos parlamentos cidades a fora, deputados se esgueiram pelos corredores em busca de alento por trás do manto do foro privilegiado. No entanto havia ainda uma luz no final do túnel: Operação Lava-Jato. Porém, os deputados votaram o fim da operação, claramente contra o país e seu Povo.

Com 313 votos a favor, os deputados votaram a favor de emenda protocolada pelo PDT para criar crime de responsabilidade contra juízes e promotores do Ministério Público. Na prática isso faz com que ambos possam ser denunciados se realizaram investigações de maneira temerária ou acusarem agentes públicos de improbidade administrativa. Uma clara demonstração que a grande maioria dos deputados foi a favor da impunidade.

É lógico que isso poderia acontecer. Com toda a mídia envolvida no trágico acidente que tirou a vida de todo o time da Chapecoense e com a manifestação ocorrida antes em frente ao Congresso — com atos de vandalismo — tinham caminho livre para aprovar essa vergonha.

Esperaram a calada da noite, de madrugada, quando poucos acompanhavam o desenrolar da “vingança” dos políticos contras as instituições que querem defender o cidadão contra os maus políticos.

Obviamente isso não foi somente retaliação. Com o avanço das investigações e com a famosa lista da Odebrecht, existem diversos políticos que serão delatados. Foi a grande maioria destes potenciais delatados que se revezaram na tribuna para defender essa afronta contra a população e contra os membros de judiciário.

Para se ter uma ideia, alguns partidos liberaram suas bancadas, ou seja, a maioria dos deputados destes votaram a favor do acinte. Abaixo relacionamos, de acordo com dados da Câmara dos Deputados quem votou na emenda do PDT para acabar com a Lava-Jato.

Deputados que votaram contra a Lava-Jato

Se observa que a grande maioria dos partidos votaram a favor da medida para barrar as investigações, provando que o intuito era notadamente salvar a própria pele. Vale ressaltar que Rede, PSOL, PPS e boa parte do PSDB foi contra a medida. Como contraponto partidos envolvidos em escândalos como PMDB, PCdoB e PT estão naqueles que tiveram a votação mais expressiva na emenda.

porJeronimo Molina

Micro negócios podem nos tirar da crise

Especialistas dizem que o Brasil é um país empreendedor. É fácil de entender o motivo disso: legislações excessivas, burocracia castigante, política do compadrio, entre outros fatores. O brasileiro tem por aspecto fundamental a criatividade para driblar as dificuldades impostas por governos e governantes. Imagine então se a regulamentação fosse menor, não seria o brasileiro mais inventivo? Com certeza.

Hoje nosso país está na posição 98ª do ranking de liberdade para empreender, ficando bem atrás de nosso vizinho, o Chile. No país andino existe uma rede de empreendedorismo forte, que auxiliar quem quer abrir um novo negócio, além de leis mais facilitadas para começar um. De acordo com matéria do jornal O Globo, demora somente 11 minutos para abrir uma empresa lá, bastando apenas o preenchimento de um formulário eletrônico.

Em um país com mais de 12 milhões de desempregados, a burocracia em criar novos empreendimentos torna ainda mais agravante o problema. Segundo artigo publicado no portal Administradores, escrito por Viviane Valente, o percentual de participação das micro e pequenas empresas é de 27% do PIB, gerando mão de obra para 52% da população.

Com base nisso vemos que o aspecto inventivo do brasileiro fica adormecido diante da burocracia para criar novos negócios, principalmente se forem pequenos. Em média se leva no país 120 dias para obter todas as licenças de uma nova empresa, além de ter que arcar com um pagamento em torno de R$ 600 reais. Isso já gera um custo para o empreendedor, que pode ter seu modelo de negócio baseado em atividades que remunerem muito depois.

Crescimento da informalidade

Mesmo com a criação do MEI (Micro Empreendedor Individual), uma forma facilitada para abrir micro negócios, ainda existem diversas pessoas trabalham na informalidade. Acontece que muitos empreendedores começam seus negócios sem dinheiro, utilizando materiais e sua estrutura dentro da própria casa. Exemplo disso são confeiteiras, costureiras, cabeleireiros, que utilizam uma garagem, uma cozinha, um pequeno espaço. Se não bastasse ainda há aqueles que vendem seus produtos na rua, de porta em porta.

A ideia de haver amparo legal para formalizar estes negócios que ficam a margem é retratada nos números da inadimplência dos impostos recolhidos dos MEI. Segundo dados do Sebrae, 56% de todos os micro negócios, estão com os impostos em atraso a mais de 90 dias, reforçando a ideia que os impostos servem para inibir a criação de negócios.

Para as micro e pequenas empresas não é diferente, a quantidade de impostos a serem pagos refletem mais de 2000 horas perdidas com preenchimentos de guias, pesquisa de novas resoluções, entre outros. Sem contar que isso encarece o custo do produto final, visto que, além dos impostos ainda existem as pessoas que trabalham para realizar esse serviço árduo.

Com tributos em demasia se torna mais simples ter um negócio informal ou até mesmo sonegar impostos. Em um site criado pelo Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), o Sonegometro mostra o quanto foi sonegado em impostos no país. Até o dia 19/11 deste ano foram sonegados em impostos R$ 476 bilhões de reais. Segundo os criadores do site, o objetivo é mostra o quão nociva é nossa carga tributária, no qual trabalhamos em torno de 4 meses por ano para pagar impostos. Se não bastasse, a arrecadação maior fica para quem ganha menos. “Quem ganha até 2 salários mínimos paga 49% dos seus rendimentos em tributos, mas quem ganha acima de 30 salários paga 26%”, disse o site.

Esse público que menos recebe salário, e que mais pagam impostos, é o público que empreende micro negócios. São os micro negócios e o mercado cinza (aquele que é parte informal e parte formal) que não deixaram a crise ser maior. De acordo com dados do Fórum Nacional contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP), a economia subterrânea — aquela que não é reportada aos órgãos oficiais — em 2012 foi de 16,6% do PIB, sendo este número maior depois da crise ter aumentado.

Assim…

O crescimento significativo de impostos inibe a criação de novas empresas, principalmente micro e pequenas empresas, responsáveis por empregar boa parte da população. As grandes empresas, com raras exceções, podem até mesmo empregar mais, porém não respondem por boa parte dos salários das pessoas. Este sendo baixo, e com uma carga tributária absurda, a população resolve buscar na informalidade uma fonte de renda extra, podendo até mesmo recair em práticas consideradas ilegais.

Para resolver o problema seria necessária uma reforma tributária, a fim de estimular o crescimento de micro negócios, facilitar a produção, e por consequência estimular o consumo de maneira orgânica, sem o auxílio de isenções tributárias. Até mesmo porque boa parte da população mais pobre pagam mais impostos, sendo estes que menos consomem.

A economia do país está caminhando para a melhora, mas sendo apoiada em grandes empresas poderá, ali na frente, ter um incrível revés. Somente o estímulo aos micro negócios, que estimulam a economia podem fortalecer de fato o crescimento sustentável e orgânico do país.

porJeronimo Molina

Muitos partidos ou pouca representação

Quando falamos em partidos políticos há quem sempre diga que são muitos no Brasil. Isso porque temos hoje 35 partidos políticos e mais de 30 ainda aguardando registro no TSE. Mesmo com a legislação complexa na construção de partidos, ainda assim diversos partidos são criados todos os anos.

Acontece que a falta de representatividade de diversos grupos faz com que aumentem a quantidade de partidos. Exemplo são movimentos sociais que estão com vistas a criar partidos e outros tantos que pretendem disputar as eleições ainda em 2018. Estes grupos sub representados acabam se lançando como possibilidade em pleitos, mesmo que não tenham nem mesmo possibilidade de conquistar cargo algum.

No ano passado obtiveram registro três partidos, sendo que dois destes estavam em processo de criação há muito tempo. Somente o Partido da Mulher Brasileira foi criado de maneira rápida, na clara alusão de uso eleitoral da legenda. E nesse ponto que acaba a política partidária caindo nas mãos de gente que está preocupada com ganhos pessoais.

Senador Aécio Neves (PSDB/MG), relator da proposta de clausula de barreira. (Crédito desconhecido)

Pensando nisso foi proposto no Senado a clausula de barreira, que limita a participação de deputados federais na Câmara e partidos políticos que não obtiverem votação superior a 2% do total de votos válidos para deputados federais. A ideia é reduzir os chamados “partidos de aluguel” que servem somente para auxiliar siglas maiores.

No entanto os grupos não representados iriam ficar ainda com menor representação, inviabilizando que aquilo que desejam para a sociedade seja implementado. Além disso, apenas os partidos grandes haveriam se ocupar espaço na política, dificultando a participação popular e deixando ainda mais o cidadão distante das decisões.

Propostas interessantes como o PSL com sua renovação interna chamada Livres e a Associação Partido da Internet, ambos de vertente liberal, iriam deixar de existir. Partidos também liberais, mas com viés de esquerda como a Rede também poderiam desaparecer. Isso limitaria a discussão de propostas importantes, pois inviabiliza o debate democrático.

Lista Fechada

Na contramão da clausula de barreira há a lista fechada, uma ideia de projeto de lei para tornar os partidos mais representativos. Nela, o eleitor irá votar no partido e não mais no candidato ao legislativo (deputados ou vereadores). O partido irá enviar ao TSE uma lista com nomes escolhidos em prévias internas.

Há quem diga que ela limitaria a ascensão de novidades políticas, fortalecendo os caciques partidários, algo que não deixa de ser verdade. Porém, em um ambiente com diversos partidos políticos estas novidades seriam alocadas em siglas condizentes com seu pensamento, sendo propiciado a todos o direito de representação.

A proposta de lista fechada sofre resistência por parte de diversos movimentos populares como MBL, que tem interesse no uso de siglas partidárias diversas para ocupar espaços na política tradicional. Entretanto com as listas fechadas se poderia baratear o custo das campanhas e fortalecer o pensamento político, tornando os partidos mais forte no âmbito ideológico do que no eleitoral.

Então…

Para a política se tornar mais representativa há a necessidade de ampliar a representação de diversos grupos através de partidos. Limitar a participação destes na política pode acabar tornando o processo eleitoral um jogo de cartas marcadas, alternando no poder alguns somente. Combinar a clausula de barreira com a lista fechada seria uma forma de restringir ainda mais a participação da sociedade no processo decisório daquilo que realmente importa para o dia a dia das pessoas.