A ideologia que o brasileiro não tem

porJeronimo Molina

A ideologia que o brasileiro não tem

Neste último domingo (06/11) o filósofo Leandro Karnal escreveu artigo para o Estadão sobre patrulha ideológica. É aquela que fica cuidando a espreita seu comentário nas redes sociais, sua fala no grupo de amigos, sua publicação em um jornal. Essa patrulha ideológica torna a vida do cidadão comum — aquele que labuta dia sim e dia também — um verdadeiro inferno. Isso porque grande maioria das pessoas no Brasil não tem definição de ideologia, algo muito maior, nem sabem as ideologias.

Segundo pesquisa do Datafolha realizada em 2014, seguindo o espectro ideológico de direita e esquerda, demonstra que 48% dos entrevistados são de direita. Poderia até mesmo as eleições de 2016 demonstrarem um caminho a direita também. Mas a bem da verdade o brasileiro não envolvido com a política não se enxerga dentro deste espaço.

A maioria do Povo brasileiro quer um Estado justo, ou seja, nem grande e nem pequeno, onde algumas atividades sejam desempenhadas pelo governo e outras pela iniciativa privada. Há quem chame isso de “capitalismo de estado”, porém o brasileiro não se importa com isso. Mesmo com um movimento juvenil mais a direita onde se fala em privatizações e boa parte dos brasileiros acreditem que estas são mais eficientes que as públicas, ainda assim existe um temor sobre esse tema.

Outro aspecto que o brasileiro não se importa com a participação do Estado é com relação a saúde e educação pública, sendo que não está nos planos uma privatização maciça dos setores, ficando extremamente distante essa ideia.

Mas não pense que o brasileiro gosta do socialismo. Mesmo sendo favorável a políticas de estado na economia e nas relações de trabalho por exemplo, os brasileiros querem mais espaço para empreender e criar negócios. Não gostam de pagar muitos impostos e preferem usar plano de saúde do que o SUS, por exemplo. Se não bastasse acreditam que o porte e registro de armas deveria ser amplo e irrestrito, da mesma forma que utilizam a frase “bandido bom é bandido morto” com frequência.

Em outras palavras, o brasileiro não gosta dos extremos da política, por isso uma parcela pequena apoia Bolsonaro ou Jean Wyllys. O cidadão prefere políticos que saibam navegar dentre o estado de bem estar social e a liberdade econômica plena, que dê peixes quando não se tem e deixe pescar quando é possível.

Por este motivo que o brasileiro sofre com a patrulha ideológica. Esta por sua vez tem uma régua estreita, distante das realidades do Povo, que observa somente poucas nuances e cria um mundo quase que perfeito para pessoas que não sabem exatamente o que desejam. Assim, qualquer postagem, comentário e fala passado pelo crivo da ideologia rasa, acaba sendo rechaçado. “Seu coxinha”, gritará o integrante da UJS; “seu petralha”, berrará o membro do EPL.

Para a patrulha ideológica, normalmente leitora assídua de Facebook e comentarista ferrenho no Twitter, qualquer um se torna semi-deus na teoria política, mesmo que a grande maioria das pessoas não faça a mínima ideia do que isso significa. Figuras conhecidas dos analistas políticos de redes sociais, são pouco conhecidas (ou nada conhecidas) do grande público.

Nosso país tem uma diversidade imensa de nuances, diferenças regionais, preceitos comuns em cada lugar. Querer que uma única ideologia sirva para a população não é o bastante para atender as demandas de cada um de nós. Por isso precisamos saber que o meio termo é necessário, para que assim possamos caminhar juntos, sem críticas, sem agressões. Cada um com seu pensamento, pois no final de tudo queremos o bem de todos nós.

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