A lista da Odebrecht e o medo do governo Temer

porJeronimo Molina

A lista da Odebrecht e o medo do governo Temer

Sempre houve um certo fantasmas quando começassem as famosas denúncias da Odebrecht, primeiro porque diversos políticos se usaram de dinheiro da empreiteira, segundo porque poderia levar a grande maioria a ficar sem mandato por muitos anos. Se existem coisas que políticos profissionais não gostam é ficar sem dinheiro e sem mandato.

No entanto quando o receio pairava como um fantasma somente ainda estávamos no governo Dilma, ou seja, poderia se usar a queda da ex-presidente como um bode expiatório de ocasião. Agora não há mais essa possibilidade. O governo Temer já está aí, realizando reformas importantes (e impopulares), com a corda no pescoço e preocupado com a opinião pública.

Todos no Planalto sabem que as manifestações são um balizador importante para a permanência no poder, isso porque o Povo acordou e agora participa ativamente das decisões políticas pressionando os governantes. Com isso em mente a espiral descendente até o fundo — literal — do poço pode levar o governo Temer inteiro para o buraco, perdendo o poder. Se existe algo pior que perder mandato e dinheiro, para um político, perder poder é algo inimaginável. Ter poder poderá trazer dinheiro e com isso mais poder.

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Mesmo com as previsões que vão desde Carlinhos, o vidente, até a consultoria política Eurásia, Michel Temer não irá renunciar. Somente ocorreria se a opinião pública ficasse totalmente contra a todos seus pacotes, algo que não irá ocorrer, por enquanto. Hoje a grande maioria dos movimentos populares como MBL e Vem Pra Rua são a favor do governo. Pode parecer estranho que escondam a corrupção do PMDB e escancarem do PT, mas infelizmente é assim.

Ainda lá em meados de maio o secretário especial Moreira Franco — Angorá para a Odebrecht — conversou com o líder do MBL Renan Santos para utilizar o potencial do movimento a fim de tornar as reformas mais palatáveis. Em parte conseguiram: desviaram o foco da crise que havia sido criada no centro do governo para o Congresso. Incentivados pelo potencial afastamento de Renan Calheiros pelo STF motivaram milhares irem para as ruas pedir sua renuncia como presidente do Senado. Bem, o tiro saiu pela culatra.

A Reforma da Previdência gerou uma revoltar popular gigantesca, isso porque a despeito da corrupção generalizada que influencia de maneira distante, a Previdência influencia no cotidiano da população. Se observou que o MBL não era o parceiro ideal para dizer ao Povo que a reforma é uma boa ideia.

No meio disso surgem as denúncias de um ex-lobista da Odebrecht, fazendo com que o plano de tornar mais palatáveis as reformas tenha caído por terra. No entanto Temer quer criar uma agenda positiva com programas antigos como nomes novos e com programas novos. Essa ação tem por objetivo mitigar os números que serão divulgados no próximos dias: inflação e PIB. Ambos péssimos.

Ainda não vemos sinais de desespero na cúpula do governo Temer, longe disso. Porém, em entrevista recente o presidente mencionou que não tem medo de popularidade, que o objetivo dele era conduzir as reformas. Bem, não foi isso que vimos diversas vezes em seu curto mandato de cem dias. Portanto começam agora pequenos sinais, semelhantes em conteúdo, com o governo Dilma. Isso demonstra que o medo ronda o Palácio do Planalto.

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