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A pesquisa eleitoral mostrou a indignação do eleitorado

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A pesquisa eleitoral mostrou a indignação do eleitorado

Desacreditado pelos partidos, Bolsonaro pode ser um Trump a moda brasileira

Na Paraíba: o deputado imita um fuzil com as mãos, gesto copiado nas ruas e nas redes sociais pelos bolsonaristas (Jonne Roriz/VEJA)

De fato não estamos em um momento bom. Muito pelo contrário não estamos nada bem. Seja na economia, na política, na segurança pública não faltam problemas para serem resolvidos pelos governantes. Entretanto a velocidade com que ocorrem os problemas é infinitamente maior que a ação dos governantes. Isso causa um impacto de desalento ao povo.

Esse é o terreno fértil para que surjam líderes com discurso de soluções milagrosas, respostas rápidas a problemas complexos. Em outras palavras é o discurso do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), uma mescla de atitudes duras e respostas simplistas que “colam” na mente de qualquer pessoa.

Defensor da ditadura militar — que chama de “revolução” — o deputado angaria uma legião de fãs pelo Brasil todo. Utiliza com habilidade incrível as redes sociais, postando nessa posições polêmicas. Está sempre na boca do povo, seja quando manifestou apreço ao general Brilhante Ustra ou quando critica com uma ferocidade inigualável o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ).

Apesar do apoio popular e da presença maciça nas redes sociais, diversos políticos e partidos consideram Bolsonaro uma figura caricata, sem chance alguma de conquistar o mais alto posto do Planalto. Porém estes esquecem que a sociedade brasileira mudou, tem outras prioridades. Ou seja, o velho discurso político perdeu espaço.

Novo discurso

De acordo com a pesquisa CNT/MDA realizada em fevereiro mostra um cenário confuso para as eleições presidenciais de 2018. Exemplo disso é no levantamento espontâneo dos pretensos candidatos a presidente, 58,3% dos entrevistados não tem candidato escolhido. Esse é um índice extremamente alto sabendo que estamos a pouco mais de um ano das Eleições Gerais.

Entretanto na mesma pergunta se observou um crescimento de dois potenciais candidatos que são ignorados pelos políticos ou caciques partidários: Lula e Bolsonaro. O petista aparece com 11,4% das intenções e o deputado com 3,3%, sendo primeiro e segundo lugares. Podemos assim dizer que ambos apareceram na pesquisa espontânea como preferidos na lembrança do eleitorado. Isso demonstra que o eleitor não busca uma novidade, mas sim alguém que faça alguma coisa, independente do que seja.

De certa forma o candidato para presidente em 2018 deve levar um novo discurso para o eleitor, preferencialmente que seja pragmático. O antigo modelo que enaltecia a origem pobre e ascendeu na vida não vai colar mais no eleitorado. Se faz necessário um discurso que demonstre a proximidade com o problema, com soluções possíveis e prática. Nesse quesito que Bolsonaro leva vantagem.

O deputado consegue dialogar com o eleitor pois detém em sua manga soluções práticas para problemas crônicos. Uma delas é com relação a segurança pública: na visão dele “bandido bom é bandido morto”. Isso está intimamente ligado a ideia do olho por olho, dente por dente, que ainda permanece viva na sociedade brasileira. Outro ponto é a defesa das empresas estatais como Petrobras. Infelizmente o deputado acredita que seja prioritária essa defesa, indo de encontro com a maioria da população.

Pode se pensar que este discurso atinja a população menos instruída ou com menor potencial de renda, porém é o contrário. Ainda de acordo com a pesquisa CNT/MDA, a grande maioria dos entrevistados que votaria em Bolsonaro são instruídos (20,7% dos entrevistados possuem curso superior) e tem maior renda (20,4% tem acima de cinco salários mínimos).

Na mesma pesquisa há um levantamento sobre o uso de redes sociais, deixando claro que o brasileiro utiliza em demasia estas para obter informações. A rede social mais utilizada é o Facebook (78,3%), sendo as redes sociais a maior fonte para se formar opinião a respeito de política (27,3% dos entrevistados). Assim podemos definir que o novo discurso será aquilo que é falado nas redes sociais.

Descrença

Outro aspecto que deve ser levado em conta quando se fala em candidato é a descrença que os eleitores tem dos políticos. Ninguém consegue falar de algum político com a certeza que este não tenha sido alvo de investigação por crimes. Um dado importante é que dos entrevistados da pesquisa CNT/MDA, 60,5% diz que está desanimado pois não acredita que o país tenha boas lideranças políticas. Esse pode ser outro fator que leve a uma votação expressiva em Bolsonaro.

Carregando consigo a imagem de homem ético e honesto, Bolsonaro pode conquistar boa parte deste eleitorado que não acredita mais nos políticos. Infelizmente acabou se criando no país uma ideia que todos os políticos são corruptos, com raras excessões.

Outro detalhe importante é a “independência” dele com relação a partidos. Estando em seu quarto partido, Bolsonaro não consegue ficar sob a tutela de caciques, fazendo aquilo que tem em mente. Esse dado também consta na pesquisa no qual 78% dos entrevistados não confiam em partido algum. Assim atrelar a figura do deputado como um político acima dos partidos iria angariar inúmeros votos.

Quem bate?

De acordo com a pesquisa somente haveria um candidato capaz de derrotar Bolsonaro, o próprio Lula. Seu apreço é grande em regiões que receberam auxílio enquanto ele foi presidente, podendo votar em massa no petista. Porém a rejeição ao PT é grande, principalmente nos grandes centros.

Agora existe outro candidato que pode mudar os rumos da próxima eleição. Será aquele candidato que conseguir atrelar simplicidade no discurso, ousadia nos debates e principalmente levar ao eleitor soluções simples e ao mesmo tempo ousadas. Este ainda não sabemos o nome, mas será o que levará o cargo de presidente em 2018.

 

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