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Ainda somos escravos?

#RSdeNovoGrande

Ainda somos escravos?

Quando falamos em escravos estamos pensando primeiramente em pessoas amarradas que são levadas a força de sua terra natal para outro lugar. Essa visão da escravidão antiga ocorreu e muito no Brasil colonial e depois em nossa curta história imperial. Temos a impressão que a escravidão acabou, mas estamos enganados.

Ser escravo é o mesmo que ser subordinado a alguém por maneira não espontânea, de forma forçada e muitas vezes sendo coagido e agredido para exercer tal subordinação. Tudo isso nem mesmo com voz de exprimir algum desagrado ou destempero do senhor. A lei do silêncio e da mordaça impera. Dessa forma, para ser escravo, não importa se estamos livres para ir e vir, isso é um termo muito mais amplo que denota a ideia de liberdade de pensamento, de ideia, de conhecimento, e principalmente liberdade pessoal.

Nos tempos atuais não existem sociedades que defendem a escravidão de trabalho, mas nas mesmas sociedades existem diversos escravos, oriundos das mazelas dos grandes centros urbanos, dos amores não correspondidos, das discussões intermináveis das famílias, do estresse cotidiano.

Estamos hoje muito mais amarrados que todos os negros oriundos da África no século XIX, que aportaram no Brasil. Somos vítimas da escravidão de nós mesmos, nos aprisionando em rótulos, etiquetas, funções e até mesmo em práticas que muito distantes estão de nos liberamos de compromissos assumidos.

O casal que vive junto por obrigação, o funcionário que trabalha por precisa do salário, o motorista que fica preso no engarrafamento, o pai que vê o filho viciado em todos os tipos de drogas, a fiel que paga seu dízimo sem dar nem mesmo um “piu”.

O melhor escravo não é aquele que está preso, mas sim aquele que acredita que livre está. E somos todos assim: pessoas libertas que se aprisionam constantemente naquilo que a sociedade julga como normal, politicamente correto, convencional. Simples rótulos, labels demarcados em tags para denominar grupos, que por menores que sejam, são coletivos de um grande todo que é a sociedade contemporânea.

Não podemos mais tomar um banho de chuva, rir bem alto tarde da noite, conversar na rua, passear de mão com a pessoa que ama (independente de quem seja), sem que sejamos rotulados, preenchidos de um formulário imaginário de que não estamos pertinentes a pertencer a nenhum grupo ou coletivo. Precisamos quebrar nossas próprias correntes do julgamento alheio, dos rótulos, das etiquetas, e pensarmos por nós mesmos se queremos viver presos dentro da caixa ou sentir as emoções de estar fora da caixa.

Nascemos com ânsia pelo novo, por descobertas, por sermos livres para escolher qualquer coisa no futuro. Agora precisamos quebrar as correntes e voltar para aquilo que nascemos: sermos livres.

 

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