As eleições liberais

porJeronimo Molina

As eleições liberais

Digam o que disserem as eleições de 2016 deverão ser consideradas na história como as eleições mais liberais. Candidatos em diversas cidades foram protagonistas dos movimentos pró-impeachment, e os novos postulantes a cargos de prefeitos e vereadores foram, em grande parte, eleitos.

Tivemos surpresas históricas como Porto Alegre, que pela primeira em anos não teve o PT no segundo turno, ou Caxias do Sul, que pela primeira vez depois de 12 anos haverá segundo turno. São os sinais dos novos tempos, da ânsia do Povo em querer mudanças, algo que possa fazer com que sua vida seja melhor.

Em todos os municípios o grande derrotado foi o PT. É lógico. Um partido que há pouco tempo atrás se dizia defensor dos pobres para criar uma casta de beneficiários da propinocracia arraigada no poder. Porém quem perdeu mais foi o modelo autoritário que estava nos sendo imposto, por líderes que tinham as rédeas nas mãos de sua população. Normalmente no jargão político se usa a expressão “curral eleitora”, dando a crer que o eleitor seria gado. Mas não é mais assim.

Apesar de São Paulo eleger em primeiro turno João Doria, no melhor exemplo de voto útil ou anti-PT, em outras cidades há uma divisão importante entre o passado de autoritarismo e o futuro de liberdade.

Pode parecer estranho, mas no Rio de Janeiro o segundo turno será disputado entre Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (PSOL) na clara dicotomia entre um partido de direita e um de esquerda. Entre a pretensa liberdade contra o autoritarismo de estado.

Em Caxias houve o voto da liberdade

Em Caxias do Sul (RS) houve o voto da liberdade de 12 anos sob a regência de PMDB e PDT. A população demonstrou, mesmo com a vitória de Edson Néspolo (PDT) que angariou 102.044 votos, a maioria dos cidadãos não votaram pela continuidade. Daniel Guerra (PRB) que foi ao segundo turno conquistou 68.214 votos, enquanto Pepe Vargas (PT) teve 59.229, e os outros candidatos somados tiveram 4.882 votos. Mais pessoas votaram contra o continuísmo.

Portanto, o segundo turno em Caxias será uma enorme dor de cabeça para a campanha de Néspolo, que não tinha em Guerra seu maior adversário. Poderá até conquistar alguns votos dos eleitores de Pepe, porém, a grande maioria não votará no candidato governista.

De toda forma, o candidato Daniel Guerra carrega consigo o voto da liberdade, aquilo que o Povo anseia e vê refletido nele uma chance de ter a esperança de dias melhores na cidade.

Porto Alegre não quer mais o PT

Depois de vários anos com administrações de esquerda Porto Alegre cansou. A vitória de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) mostra claramente que os eleitores da capital gaúcha querem uma gestão moderna e combativa. Mostraram também que a população porto alegrense não quer Sebastião Melo (PMDB), que concorre com o apoio do governo José Ivo Sartori.

Mesmo com a proximidade de percentuais entre Marchezan e Melo, com o segundo turno a grande tendência é a derrota do candidato do PMDB. Isso ocorre porque o eleitor que não votou no governo municipal não votará no segundo turno. Poderá acontecer uma vitória histórica do tucano Marchezan.

Há uma clara demonstração que os porto alegrenses querem uma administração liberal, com propostas que sejam voltadas para as pessoas. As administrações petistas e pedetistas, em grande maneira levaram a capital gaúcha ao caos. Apesar de ser atribuição do estado, a insegurança na cidade é enorme. Porém nada é feito para fazer com que essa insegurança seja solucionada. Se não bastasse existe a polêmica do Uber, onde a criação de uma lei municipal desagrada tanto favoráveis ao serviço quanto contrários.

São Paulo e o tucano

São Paulo sempre foi uma cidade que se voltou para o trabalho, mas dessa vez a eleição mostrou algo diferente. Quem ganhou não foi João Doria (PSDB) foi o voto útil. Cansados da gestão errática de Fernando Haddad (PT), os paulistanos votaram contra o PT, principalmente os mais pobres.

Enquanto Haddad foi eleito com o apoio de Lula e Dilma, sem este apoio e manchado com as denúncias sobre seu partido ficaria impossível vencer as eleições. Algo que demonstram isso é a distância abissal entre o primeiro colocado e o candidato petista. O reflexo do descontentamento da população brasileira com o PT foi visível na maior cidade do país. Poderia até não se gostar do candidato tucano, mas dentre as opções foi a melhor escolha.

Agora nem tudo são flores. Mesmo que Doria seja mais liberal que seu antecessor, seu partido deixa sempre sombras de dúvidas. Em seu discurso de vitória já colocou o atual governador Geraldo Alckimin (PSDB) como potencial candidato a presidência em 2018, na clara certeza que irá realizar campanha para ele.

Resultado

As eleições de 2016 foram o termômetro para 2018. Se notou que a população não quer mais o PT, portanto o discurso aguerrido contra o Partido dos Trabalhadores não cola mais, ninguém quer eles de volta (exceto alguns partidos de esquerda). Os candidatos que tiveram por base seu discurso voltado ao combate ao petismo e a corrupção ficaram esvaziados.

Como prova disso vemos os “candidatos” do MBL, que segundo a revista Veja, tiveram somente 8% deste eleitos no país. Em outras palavras, o discurso contra a esquerda e a propinocracia petista não cola mais, já é passado.

Tirando o próprio PT, quem saiu mais derrotado nessas eleições foi o continuísmo. Segundo dados do site UOL, metade dos candidatos a prefeito nas grandes cidades que tentavam novamente ir para a prefeitura acabaram perdendo as eleições. A outra metade foi para o segundo turno, correndo o risco de não se elegerem.

A população está cansada dos mesmos na política, houve uma renovação grande em diversas cidades. Partidos com pequena expressão foram alçados para prefeituras, outros considerados maiores ficaram de fora. Porém os partidos com posição dúbia tiveram votação praticamente inexpressiva em diversos municípios.

De toda forma a população quer mudança, e essa mudança já começou nos municípios. Agora irá para 2018 que provavelmente será a maior eleição da história depois da redemocratização.

Sobre o Autor

Jeronimo Molina administrator

Deixe uma resposta