Como a educação no Brasil influência na competitividade

porJeronimo Molina

Como a educação no Brasil influência na competitividade

Um aluno chega na sala de aula e senta na última fileira. Pega de dentro de sua mochila um celular de último tipo e abre o Facebook. Posta a frase cabal do desalento de qualquer um em dia de chuva “que tédio!”. Para completar tal jargão soma-se uma foto sua com uma legítima cara de choro.

Infelizmente essa é a realidade nas escolas brasileiras: um misto de preguiça, má vontade, e desânimo de todas as partes. Ocorre tal fato não somente pelo já esmiuçado aspecto da falta de recursos por parte de governantes — ou empresários, diga-se — para adequar infraestrutura e remunerar melhor professores. A situação acontece pois infelizmente no Brasil se criou a cultura daquele que não estuda “se dá melhor” na vida, seja ela profissional ou pessoal.

A mudança de paradigma não aconteceu há poucos anos, muito menos graças a ascensão de Luís Inácio Lula da Silva para presidente da República estimulou essa estapafúrdia ideia. Foram anos a fio de líderes pobres de conhecimento acadêmico, mas com excesso de “malemolência” para driblar o cotidiano brasileiro.

A famosa habilidade do jeitinho foi incorporada aquilo que chamamos de common sense, então começamos aplicar a premissa de Gerson a todos os aspectos, inclusive aos educacionais.

Da fila furada à prova de matemática, o diálogo ficou mais importante do que o próprio conhecimento, tornando a sala de aula em ambiente de debates acalorados com doses cavalares de teses de redes sociais. Houve uma quebra na relação de aprendizado, onde os melhores (ao menos para nós, brasileiros) são aqueles que melhor se posicionam a respeito de qualquer assunto, tal qual um erudito, sem nem mesmo deter um simples certificado de Ensino Médio.

Intuito de diversos “pensadores” pedagógicos e professores ideológicos levou nossa educação aos patamares risíveis que vemos hoje. De acordo com o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), nosso país ficou com a terrível classificação de 66° lugar em conhecimentos de matemática para estudantes na faixa de 15 anos. Ou seja, estamos bem longe de países de destaque.

Esse estudo realizado pela OCDE demonstra aquilo que professores vivenciam diariamente nas escolas. Alunos desinteressados, escolas com infraestrutura precária ou subaproveitada, falta de motivadores por parte de gestores educacionais, entre outros.

No entanto a capacitação dos docentes no Brasil é razoável, graças a força da lei. De acordo com pesquisa realizada pelo INEP com base nos dados do Censo Escolar, em 2014, 86,5℅ de todos os docentes tem curso superior. No entanto apenas 56,4℅ atuam como professores na sua área de formação. Esse dado reforça que os professores cursam o Ensino Superior com o objetivo de obter a titulação, não importando a área de atuação em sala de aula.

Em se tratando de cursos de pós-graduação não há interesse. Devido à baixa remuneração aplicada aos professores fica a especialização em um horizonte distante. Segundo dados da mesma pesquisa, apenas 30℅ tem especialização, 1,8℅ mestrado e 0,3℅ doutorado. Reflexo do descaso do senso comum que o conhecimento não gera frutos financeiros irrompe na baixa qualificação do corpo docente. Há dessa forma uma limitação em conquistar os alunos fruto do distanciamento da formação com a atuação.

Com alunos desinteressados, professores mal remunerados e mal preparados o argumento que o famoso jeitinho atrai mais vantagens cresce. As aulas se tornam um “balcão de negócios”, onde aluno e professor discutem (sem nenhum pudor) qual seria a nota mais justa. Determinada pelo modelo pedagógico de Paulo Freire, onde o aluno aprende por termos por ele conhecido, a vida em sala de aula se tornou um “circo de horrores”, no qual o professor não consegue exprimir parte do conhecimento graças a falta de compreensão do aluno. Em outras palavras, institucionalizou que o aluno seria um tolo, e este acabou por ser mais tolo ainda.

Distante da ideia preconcebida de que em outras nações os alunos estão condicionados a realizar atividades tecnocráticas, o ensino moderno prioriza a busca pelo conhecimento. Ou seja, nada vem pronto, mas deve ser buscado. Tal atitude surgiu após o crescimento da internet, onde o acesso da informação se tornou básico. Apenas com um clique qualquer um pode aprender algo de forma gratuita, sem tutores ou eruditos. Famosa na história, a biblioteca de Alexandria está agora na palma da mão.

Mas por que os estudantes não buscam a informação? Simples, graças ao modelo de Freire de ensinar o estudante brasileiro não consegue utilizar as tecnologias. A banalidade de realizar uma pesquisa na internet pode se tornar um martírio para aquele estudante acostumado a utilizar somente sua experiência pessoal como fonte de conhecimento. Se limita a busca pelo novo deixando estudantes com potencial gigantesco a mercê do analfabetismo funcional. Perdem-se talentos constantemente graças a premissa do limitador de mediocridade que se estabeleceu.

Dessa forma o Brasil perde em competitividade econômica. Enquanto outros países como Iraque, Líbia e Afeganistão falam inglês aprendendo pelo Duolingo, brasileiros escrevem (e falam!) “tive uma probrema” (sic). Assim empregadores desistem de contratar mão de obra mais jovem devido a incapacidade de utilizar as ferramentas tecnológicas juntamente com o conhecimento adquirido em sala de aula. Preferem contratar profissionais mais velhos, que mesmo distantes da tecnologia, ainda apresentam a vontade de buscar conhecimento.

Não é dinheiro que mudará a educação no país, muito menos uma crítica sobre a não compreensão do que seria uma PEC. A mudança passa por outra quebra de paradigma, no qual o agente de transformação da sociedade é o estudante. Este para desempenhar bem seu papel deve obter o conhecimento acadêmico proveniente de um professor bem remunerado e bem preparado, com largo reconhecimento de seu currículo. Sem esquecer que o aluno deve ter a ambição de crescer por sua capacidade de aprendizagem, usando as novas tecnologias para obter informações de cunho pessoal. Tudo isso permeado pela ideia que jeitinho não traz emprego, quem traz emprego é a escola.

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