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Eugênia social existe?

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Eugênia social existe?

Muito se fala em anarquia nos últimos tempos: corrupção, desmandos do governo, ingerência das instituições e por aí vai. Porém poucos acreditam que vivamos de fato em uma anarquia, onde seríamos regulados simplesmente pela auto-gestão particular de cada um. Em outras palavras: poderíamos fazer o que quiséssemos sem sofrer consequência alguma. Este é o universo do filme The Purge: Anarchy (Uma Noite de Crime: Anarquia – 2014), sequência de filme com igual título.

O filme retrata um futuro próximo nos EUA com baixos índices de desemprego, pobreza e miséria, tudo isso graças a uma lei criada para eliminar o sentimento violento do ser humano, com uma noite de crimes sem punição. Claro, como todo bom filme distópico existe uma dose de influência do governo nisso tudo, que promove tal expurgo com o sentido claro de promover uma limpeza social, onde os mais pobres acabam se matando e os mais ricos acabam lucrando com isso.

Apesar da ficção,  tal prática já acontece no mesmo EUA cenário do longa. Reiteradas matérias no New York Times mostraram que existem em diversos prédios entradas para pessoas mais abastadas e menos abastadas, em uma clara acepção de classe social.

Pensando em Brasil podemos observar que muitas vezes não gostamos de mendigos nas ruas de nossas cidades. Chegam pessoas a citar até mesmo a palavra “limpeza” destas pessoas da rua, isso porque atrapalham o bem-estar dos mais abastados.  A hipocrisia da classe mais alta de recursos (porém mais baixa de intelecto) beira o fanatismo, acreditando que pessoas mais humildes devam ser deixadas bem longe dos bairros mais nobres.

Na visão de qualquer história distópica existe um poder opressor que determina o caminhar de toda uma população, já em The Purge: Anarchy o poder opressor é o próprio poder econômico, que não é usado para produzir riqueza, mas sim para recriar uma visão já conhecida no passado: a eugênia.

A premissa básica dos nazistas durante o período que dominaram a Alemanha era a eliminação completa e total de qualquer judeu, cigano, homossexual e doente mental. Na visão deles isso iria fortalecer os genes das gerações posteriores, assim perpetuando uma raça pura e limpa. Com isso se criou um controle de não cruzamento de genes de judeus e outros grupos com alemães, o estímulo para o aumento da população e o controle das pessoas de acordo com padrões etnológicos.

A obsessão de saber os genes realizavam proezas,  como para membros do grupo especial militar nazista, a SS, onde eram mapeados o grau de parentesco de cada membro até a quinta geração anterior daquele membro. Isso gerava um banco de dados hereditário monumental, relacionando famílias e suas descendências.

Nos tempos modernos vivemos uma eugênia porém social, onde os mais abastados afastam do convívio os menos abastados, formando pequenos grupos com o intuito de usufruir as benesses dos recursos que dispõem.

Podemos acreditar que a igualdade de classes poderia acabar com tal dicotomia social e evitar situações de eugênia social, mas, em qualquer lugar haverá um grupo dominante e um grupo dominado. Dessa forma a luta de classes ou a igualdade econômica são falhas em estabelecer uma régua.  De toda maneira, a igualdade de oportunidades seria mais prática e evitaria no longo prazo a eugênia social, pois todos poderiam ser aquilo que gostaria de ser, desde que não interferisse na vida do outrem.

É tóxico vivermos uma pseudo ideia de igualdade, onde o poder econômico se torna regra e determina quem poderá dominar quem. Ao momento que vamos nos afastando da falsa de ideia de igualdade e caminhando para a liberdade de ação do ser humano estamos evitando tal limpeza social, pois estará intrínseco na sociedade a questão que qualquer humano é livre para fazer o que quer, desde que não atrapalhe a vida alheia.

Somente a liberdade de ação para todos poderá fazer com que tenhamos a consciência do nosso espaço e do espaço do próximo, e somente assim poderemos viver iguais, como seres humanos, sem anarquia.

 

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