Incoerência

porJeronimo Molina

Incoerência

Mudar de opinião sobre determinando assunto é normal para qualquer pessoa. Com o passar dos anos vamos amadurecendo, e o crescimento natural nos possibilita ver por ângulos que antes não era possível ver. De toda forma a mudança de pensamento repentina e não gradual faz que aqueles que estejam por perto fiquem no mínimo desconfiados.

A credibilidade de uma pessoa está ligada por aquilo que ela fala, sempre. Nunca podemos ir contra princípios já elucidados ou mudar drasticamente de opinião somente para arregimentar uma pessoa ou um conceito a nosso ideário particular, isso seria leviandade.

Em diversas culturas a falta de coerência faz com que a pessoa caia no ostracismo, ou por vez fique relegada a um rótulo nada salutar de ser volúvel a interferência alheia, no melhor estilo vai como as outras. Uma pessoa assim jamais é convidada a participar de um grupo seleto ou diferenciado, pois em um pequeno momento poderá abandonar tudo em prol de outro grupo.  Mesmo assim, a coerência pode muitas vezes nos levar a mudar de grupo, não porque sejamos fracos e volúveis, mas sim, porque temos nossos valores e perspectivas mais tendentes ao novo grupo do que ao anterior.

Uma revisão analítica de nossos princípios pode levar a um julgamento apressado sobre os coerentes, tornando-os como inconsequentes, quem sabe relegando-os o título de vai com as outras, mas se seus princípios estiverem baseados em valores intrínsecos a sua condição, facilmente se irá esclarecer.

Assim é com a política, por ora vemos políticos migrando de um partido a outro, podendo alguns destes estarem buscando espaço mais inclinado a seus valores ideológicos. Jamais haveria espaço para um liberal adentrar teorias de liberação das drogas em um partido conservador, como um conservador não conseguiria defender de maneira plena a vocação moral da família em um ambiente libertário.

Sendo que tal exemplo inexista na prática até porque tais espaços políticos inexistam – até o momento – como partidos, há uma falta coerência política em alguns políticos mais antigos. A presença hegemônica de organizar-se politicamente com o intuito de obter benesses do “rei” ou de seus asseclas faz com se perca pelo meio do caminho sua coerência política, levando o menos apurado ao separar o joio do trigo a velha máxima que todos os políticos são iguais.

Poderia citar aqui políticos que se diferenciam dos demais por defender princípios o deputado estadual Marcel van Hattem (PP-RS) que por sua convicção foi substituído pelo titular de sua vaga, por uma sessão na Assembléia Legislativa, porque se mostrou contrário o aumento de impostos; ou mesmo Hélio Bicudo, jurista, que convicto nos seus valores foi um dos que assinaram os dois pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Estamos carentes de políticos – independentes de matizes ideológicas – sejam convictos naquilo que desejam. Faltam hoje políticos tais como Bento Gonçalves, Borges de Medeiros, Plínio de Arruda Sampaio, Roberto Campos, Hélio Bicudo, dentre outros que realmente defendam seus princípios ideológicos.

Por sorte surge em meio o fomentar dos protestos de 2013 diversos políticos que há tempos não víamos no Brasil, pessoas que indeferem de partidos ou siglas, não defendem bandeiras, mas defendem aquilo que precisamos urgentemente: princípios.

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