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Instabilidade política e os líderes messiânicos

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Instabilidade política e os líderes messiânicos

De tempos em tempos vemos o termo “banania” sendo proferido por aí. Claro que isso é comum ainda mais para o Brasil. Normalmente se usa o termo para as trapalhadas que acontecem em um governo. Mal saiu Dilma Rousseff (PT) e o atual presidente se defende sobre o legado de sua antecessora. Isso cria dúvidas quanto a sua gestão.

Nos primeiros momentos do seu governo, Michel Temer (PMDB) resolveu fechar o Ministério da Cultura. Era uma decisão acertada isso porque o MinC abrigava uma série de elementos do Partido dos Trabalhadores, com projetos no mínimo duvidosos. Seria o início do golpe final no lulo-petismo dentro do governo federal. A população esboçava até mesmo aplaudir o presidente.

Pouco tempo depois o presidente voltou atrás, não somente recriou o MinC como colocou para ser o ministro da pasta Marcelo Calero, que inclusive protestou contra o fechamento da mesma dias antes. Foi o primeiro sinal de fraqueza do novo governo. Se mostrou frágil diante da pressão de determinados grupos.

Sabendo disso, a pressão por parte de grupos com interesses se tornou corriqueira com sindicatos protestando contra a reforma trabalhista, estudantes protestando contra as modificações no Ensino Médio, grupos pressionando com greves de servidores públicos e por aí vai. Tendenciar as pressões pode tornar um governo frágil, sem poder de comando, sem a liderança necessária para mudar o Brasil.

Já começou a balburdia, novamente

A falta de credibilidade do governo Temer é cristalina. Protestos eclodiram pelo país, a insegurança se tornou algo comum nas grandes cidades, a colocação do problema como algo distante também piora a situação. Em um discurso proferido para um encontro da revista Exame o presidente Temer colocou a responsabilidade pela crise econômica totalmente em sua antecessora, demonstrando que não estava preocupado com o país quando era vice-presidente.

Se não bastasse, nessas eleições ocorreram atentados contra candidatos a vereador e prefeito em diversas cidades. O mais grave foi em Itumbiara (GO) onde o candidato a prefeito foi atingido por tiros de um servidor público municipal e acabou morrendo. Além disso, no Maranhão criminosos incendiaram sessões eleitorais provocando certo receito na população.

A falta de credibilidade na pretensa união que o governo quer implementar é sentida por todos os cidadãos. Existe um distanciamento da situação de grande parte da população com Brasília. Um exemplo são as falas de ministros que colocam o Povo em polvorosa, como o aumento da jornada mínima de trabalho, cortes em aposentadorias, divulgação de ações da Polícia Federal no âmbito da operação Lava Jato, entre outras trapalhadas.

O governo federal não tem tato com a população mais pobre, que em grande medida depende do próprio Estado para sobreviver. Segundo dados da PNAD-C (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) realizada pelo IBGE com dados do segundo trimestre de 2016, a taxa de desempregados é 36,6% maior que o mesmo período do ano de 2015.

Observando os dados do Ministério do Trabalho sobre seguro-desemprego, vemos que até fevereiro deste ano foram distribuídos em torno de R$ 5,320 milhões deste benefício. Isso ocorreu por existe uma diminuição drástica nas contratações, com números do próprio MTb vemos que houve um saldo negativo com relação a admissões e demissões, ficando 33.953 vagas a menos.

Apesar da inflação ter recuado, o índice acumulado ficou em 8,97% de agosto de 2015 até agosto deste ano. Se realizarmos o acumulado desde 2014 até agora, a inflação ficou em 19,75%. Com isso o poder de compra do brasileiro reduziu drasticamente, com a renda ficando no segundo trimestre do ano em R$ 2.011 reais.

República de Weimar?

Nos tempos que antecederam a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha passava por um momento semelhante. Inflação alta, desemprego, desesperança, insegurança e instabilidade política. As pessoas queriam um líder que fosse capaz de acabar com o sofrimento do povo alemão. A duração do período que ficou conhecido como República de Weimar foi de 1919 até 1933, ou seja, 13 anos. A população alemã, farta da vida de agrura resolveu dar crédito a um jovem eloquente que tinha ideias novas e revolucionárias. Começou ali o período mais triste da história da humanidade.

Estamos com o mesmo cenário de desenhando, porém a velocidade que isso ocorre é assustadora. Há uma instabilidade política (mesmo que muito bem escondida) ocorrendo. Há um clima de incredulidade da população brasileira nos políticos atuais. Existe um temor constante de insegurança, sem contar a inflação e o desemprego.

Apesar da mudança de governo ter em um primeiro momento dado um pouco de esperança para o Povo, há a necessidade urgente do governo Temer começar a demonstrar atitudes para este mesmo povo. Não somente no campo econômico, mas na gestão da coisa pública, não relegando ao Congresso Nacional a aprovação de medidas imprescindíveis para dar rumo ao Brasil.

Um cenário de desilusão política pode dar vazão a líderes messiânicos, propensos a megalomania política. Já surgem alguns desses líderes que tudo farão, porém de maneira autoritária. Outros líderes de tão messiânicos que são utilizam a fé das pessoas nas religiões cristãs para chegar ao poder, atribuindo a esta suas decisões.

Precisamos organizar o país de maneira urgente, antes que tais sombras do lulo-petismo voltem a assombrar nossas vidas, com uma roupa diferente, mas com o mesmo espírito autoritário de antes.

 

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