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Liberais de cobertura, de apartamento, longe da realidade

#RSdeNovoGrande

Liberais de cobertura, de apartamento, longe da realidade

Alguns dos novos pensadores vivem em outro mundo do resto das pessoas

Não me julgo desprovido, pelo contrário. Graças ao esforço de meus pais tive uma educação adequada, consegui com meu esforço concluir a graduação e pós-graduação, conquistei trabalho.

Entretanto nunca tive uma vida luxos: contínuo usando ônibus, o salário não chega ao fim do mês, e o supermercado só fica cada vez mais caro. Ou seja, não sou um agraciado pelas benesses do sustento fácil. Como diz na gíria “tive muita correria” para fazer as coisas acontecerem.

Esse aspecto de necessidade mesclada com vontade me conduziu a me tornar liberal. Mais por convicção do que pelos livros. Não posso me julgar um conhecedor profundo de Escola Austríaca, muitos menos de Hayek ou Friedman. Agora algo que conheço se chama realidade.

Ver pessoas sofrendo ao pagar impostos, para criar seu pequeno negócio, ter que estudar, pagar um plano de saúde, abrir uma conta em banco. Isso me comove e me impulsiona a lutar por mais liberdade para aqueles que me cercam.

Infelizmente a grande maioria daqueles que hoje articulam palestras, proferem em universidades ou organizam os famosos “clubes” vivenciaram muito pouco da vida real nua e crua do cidadão comum.

Viver em comunidades, acordar bem cedo para ganhar um salário pífio — no qual é roubado parte pelo Estado e parte pelo assaltante — onde se tem um mínimo de dignidade ao sentar diante da TV e ficar sabendo do novo escândalo de corrupção.

Ora, tais “liberais” vivem em universidades apregoando, mas raramente pisam em escolas públicas, recheadas de estudantes sedentos por conhecimento. Para estes, não seriam o público alvo. Preferem aqueles distantes das periferias.

Os ditos “liberais” posam em fotos dentro de eventos grandiosos, onde o pequeno empresário dono da carrocinha de cachorro-quente não tem acesso. Tiram selfies em palestras em New York, São Paulo ou Paris, algo distante para o estudante do bairro pobre. De uma forma avessa reproduzem o que condenam, dividindo em castas ou classes a população.

Dessa forma, falta muito para os tais “liberais” saírem das coberturas, apartamentos e salas acarpetadas com ar condicionado. Falta muito para aprenderem que a realidade de grande parte do Povo é outra.

Logicamente existem liberais de fato. Perdidos entre meio a um mar de filósofos “faceboquianos”, ou militantes de egos. Normalmente esses liberais de verdade tem concedidos adjetivos como “loucos”, “radicais” ou “desconectados”. Estes esbravejam mais vida real para os “liberais” de cobertura. Eu iria mais além, acredito que necessitam mais Povo.

 

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