Me tornei velho?

porJeronimo Molina

Me tornei velho?

É estranho perceber que se tornou velho. Primeiro porque a idade cronológica não demonstra isso, segundo porque você acha que fez tão pouco. Mas que me fez tornar velho? Bem não foram o passar dos anos ou os cabelos brancos (fios diga-se) aparecendo. Tem alguns por aí que pintam os cabelos de branco para parecerem mais cool, e minha certidão de nascimento nem amarelou a ponto de ser chamado de “tio”.

Descobri que sou velho quando nem tudo do mundo online me agradava mais. É estranho dizer isso para quem é heavy user da internet, que já estava conectado em 1998 e mantinha um pequeno site escrito em linguagem de programação com textos de adolescente. Mas é verdade. Nem tudo o que está online me satisfaz.

Começo dizendo pelo aplicativo Snapchat. Acho incrível a proposta dele, já escrevi sobre ele em outro blog que mantenho, inclusive já instalei ele em meu smartphone. O problema é que sempre acabo desinstalando ele sem dó nem piedade. Enquanto um jovem acharia isso um sacrilégio, eu faço isso sem sentimento de culpa. Sinceramente, ainda não compreendi muito bem a proposta do app, acho bacana postar fotos com legendas e “adesivos”, mas no fundo ainda prefiro o Instagram.

Lendo uma matéria do site G1 sobre os centenials, jovens nascidos entre 1996 e 2000, vi que definitivamente me tornei “velho”. Até pouco tempo atrás fazia parte da última geração nascida, a geração Y. Andava conectado e me sentia um garotinho perto de meus pais. Entretanto, depois que amadurecemos, já comecei a selecionar alguns conteúdos, escrever sobre aquilo que me interessava, usar certos apps.

De acordo com uma pesquisa conduzida pela agência McCann, com mais de 33 mil pessoas ao redor de todo mundo, os jovens da geração Z tem características diferentes dos jovens da geração Y. E notem que falo de jovens.

A primeira delas é com relação a ser adulto: enquanto aqueles com mais de 35 anos dizem que ser adulto é algo cronológico, para os jovens com idade entre 20 e 34 anos ser adulto é um “verbo”. Deixa eu explicar melhor: ser adulto é um conjunto de atitudes que lhe tornam adulto por um momento — como ser responsável por exemplo — não não o tempo todo. Ou seja, os jovens de hoje poderão ter “espírito” jovem amanhã também.

Outro ponto importante é que os jovens da geração Z realizam momentos de vida, ou seja, são nos pequenos momentos que circulam a vida cotidiana. Enquanto os jovens “mais velhos” criam marcos (casamento, nascimento, falecimento, etc), os jovens “mais novos” se inspiram nas pequenas situações do dia a dia.

De toda forma ainda não me sinto velho, até porque mantenho diversas redes sociais ativas, assim como os “geração Z”. A diferença é o uso. Para os mais jovens, as redes sociais servem para atrair mais pessoas e ser uma porta para obter informações dessa pessoa. Bem diferente da minha época do Orkut (alguém lembra?) que criava relações com pessoas de maneira offline e depois transportavas elas para o mundo digital.

Assim, enquanto os mais velhinhos são nativamente conectados, os mais novinhos são nativamente acessíveis. Ou seja, tem gente de minha idade que desliga o smartphone a noite, isso é impensável para um jovem de vinte e poucos anos.

Não fico atordoado pensando que me tornei velho do dia para a noite. Isso foram os anos e as experiências que tive ao longo da vida que me envelheceram. Ou seja, não é algo que me tira o sono. Porém, saber que está ficando velho mostra que mais e mais preciso aprender sobre o mundo e sobre as pessoas, pois lidamos todos os dias com pessoas de vários gêneros, gostos, vontades, atitudes, anseios e necessidades.

Ficar alheio ao que passa diante de nossos olhos é não participar das constantes mutações que passa o mundo. Fazer parte dessas mudanças não nos torna mais velhos, mas mais experientes. E serão essas experiências que nos moldarão para construir nosso futuro.


Originally published at Jeronimo Molina.

Sobre o Autor

Jeronimo Molina administrator

Deixe uma resposta