Olhe para fora

porJeronimo Molina

Olhe para fora

Outro dia meu filho de 4 anos me fez um pedido que me deixou intrigado. Mesmo em meio a canetas coloridas, papéis e minha motivação em fazê-lo desenhar ele disse: “Quero desenhar no seu celular pai”. Ora, pensar que desenhar no celular era impossível a quem sabe 10 anos atrás me fez insistir que o celular não era feito para crianças, porém de que adiantara argumentar se ele mesmo havia me visto minutos antes utilizando o dispositivo indiscriminadamente ao bater suas fotos em meio as canetas coloridas e as folhas de papel.

Nosso uso com a tecnologia beira a dependência. Apesar das redes sociais terem encurtado distâncias, tornado a comunicação mais ágil, se tornarem formas de engajamento social e político, na prática diária nos distanciam uns dos outros.

Nos tornarmos a geração da cabeça baixa, que olhamos somente para nossos smartphones e suas milhares de notificações por minuto. Não podemos perder um lance para postar um comentário em alguma rede social ou partilhar a ideia no WhatsApp com o grupo do trabalho.

Lógico que o mais atento dirá que os bares não estão vazios, que as ruas estão mais cheias, que as pessoas se procuram mais. Isso é uma verdade. Agora se pararmos para observar atentamente veremos que os pontos de ônibus estão lotados de pessoas com seus smartphones, plugados em outros lugares, mas não ali; que os bares estão lotados de pessoas com celulares na mão; que as famílias somente olham para seus contatos nas redes sociais. Alguns especialistas dizem que a geração que agora é adulta nessa segunda década do século XXI é a geração Y, a mais conectada e mais preocupada com o futuro. Pode até ser. Mas é aquela que olha somente para baixo e não para cima, perdendo oportunidades infinitas.

Sabores, cores, cheiros. Tudo isso não pode ser compartilhado pelo Instagram. Compartilhar experiências deve ser feito com pessoas de carne e osso, aquelas que podem sentir, tocar, olhar e admirar aquele momento único que você também viu.

Larguei meu celular em cima da mesa e vi pela janela, agora com clareza, algumas mudanças em bairro. Deu vontade de pegar o smartphone da mesa e tirar uma foto para compartilhar com meu grupo familiar do WhatsApp. Desisti, preferi convencer meu filho para ir lá fora e olhar comigo aquilo o que mudou, foi muito melhor do que ele desenhar em uma tela.

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Jeronimo Molina administrator

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