Pais e uma infância interrompida

porJeronimo Molina

Pais e uma infância interrompida

A alta incidência de casos de pais que agridem seus filhos é fruto da falta de maturidade

Não sou especialista, muito menos psicólogo, mas leio com tristeza notícias a respeito de pais agredindo filhos.

Os motivos são diversos: desde um choro repentino até ataques de fúria, porém, na minha opinião, estes pais sofrem de falta de maturidade.

Hoje a sociedade contemporânea têm diversos “adultos adolescentes”. Em diversas matérias vemos que a idade de maturação do ser humano está cada vez mais tarde; 30 diziam a dez anos atrás, agora quem sabe 35, ou será 40?

O que se sabe é que as facilidades da vida moderna, a saída mais tardia da casa dos pais, a falta de preparo para enfrentar as circunstâncias das decisões, leva mais e mais adultos se tornarem como adolescentes.

A questão é quando esses adultos, mesmo não sendo maduros o suficiente, assumem uma relação fixa, um casamento.

Um fator que demonstra isso é o grande número de divórcios. Segundo dados do IBGE, entre 2004 e 2014 houve um aumento de 160% no número de dissoluções matrimoniais. Mesmo que em casos seja necessária o divórcio, a banalização do dispositivo demonstra a falta de maturidade em escolher um cônjuge ideal. Muitas vezes um simples desentendimento leva a um divórcio litigioso, algo que não ocorria com casais mais maduros.

Essa instabilidade conjugal, reflexo da imaturidade juvenil, tem por consequência famílias instáveis, onde os pais não absorvem a premissa da responsabilidade de cuidar de um filho.

Muitos casais cientes de sua imaturidade com crianças preferem abdicar do fato de serem pais, algo no meu ver acertado, visto que reconhecem suas limitações como seres humanos. Porém tal honestidade pessoal não ocorre com todos, levando ao nascimento de crianças com pais sem o mínimo de maturidade.

De toda forma tal aspecto não é exclusividade de adolescentes, ocorrendo em adultos imaturos. Segundo a psiquiatra Julieta Mejia Guevara, diretora da Neurohealth — Centro de Métodos Biológicos em Psiquiatria, isso é fruto de “nossa cultura paternalista faz parecer normal adultos de 40 anos morarem com os pais ou retornarem ao lar parental após uma separação. Isso não só encoraja a superproteção como a confunde com a expressão de afeto. É uma castração das potencialidades que o filho venha a apresentar e da capacidade de pensar em soluções para assuntos vitais”, contou à repórter Heloísa Noronha do UOL.

A imaturidade é despertada pelo resultado de uma superproteção dos pais, gerando com isso uma leva de novos pais irresponsáveis ou mimados, desacostumados com as obrigações inerentes ao fato de ter filhos.

O crescente número de violência contra crianças, em diversas classes sociais, demonstra bem o desequilíbrio destes novos pais. A falta de paciência, a insensatez diante de problemas comuns na infância dos filhos, as punições severas, são o triste resultado do despreparo em ter filhos.

Essa soma atrai para os filhos mais problemas como rejeição, insegurança, hesitação, entre outros. Quando se tornam adultos a situação piora, com agravos como déficit de atenção, agressividade, e até mesmo outros problemas de ordem psíquica.

Não há de fato uma fórmula mágica para evitar-se pais imaturos, porém criar os filhos para lidem com suas frustrações, desenvolvam habilidades pessoais, criem uma rede de amigos e consigam suportar a tomada de escolha, é por si só um grande passo para não ser como pai ou mãe imaturo.

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