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Prazer, sou um ciborg

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Prazer, sou um ciborg

O futuro para todos nós é incerto: não sabemos se iremos morrer amanhã, o que iremos comer amanhã, se vamos pegar muito trânsito para chegar ao trabalho, ou se vamos ter filhos. Nada é previsto, tudo é improvável. Porém, a tecnologia ajuda a prever boa parte desse futuro: podemos saber com antecedência de uma semana se irá chover, de algumas horas se há um rua bloqueada, se os investimentos estão em ordem, ou se podermos ter filhos.

A expansão da capacidade humana em obter informações foi surpreendentemente expandida nos últimos 30 anos. Antes disso não tínhamos celulares (sequer telefones fixos em todas residências!), televisores eram caros, carros eram itens de luxo, e computadores era somente sonho de filme de ficção científica.

Com a criação tecnológica dos últimos 30 anos as distâncias de comunicação encurtaram, a informações navegam livremente e podemos deixar nosso registro daquilo que pensamos em questão de segundos, ao exemplo do próprio Obvious que há 30 anos atrás jamais poderia ter existido.

Apesar de no início as tecnologias serem somente de algumas pessoas, com o tempo elas se massificaram, e o exemplo principal disso são os smartphones. Renegados no início dos anos 2000 a somente um grupo de executivos com seus Blackberry ou alguns entusiastas do sistema móvel Windows Phone, hoje estão na mão de qualquer pessoa: dos pequenos infantes aos mais idosos.

A possibilidade de acesso massificado à tecnologia nos deixa “dependentes” da mesma. Pense por um momento que você perdeu seu celular, ou não sabe mais a senha do seu Facebook. Já ficou com as mãos suando frio? Bem, já pode ser considerado um dependente tecnológico.

Fugindo do aspecto psicológico da dependência da tecnologia, nos últimos anos tem surgido um movimento que poderá ser o futuro da humanidade: a transumanisação. Este conceito nos denota que o ser humano irá se unir a tecnologia, podendo atingir novos níveis e capacidades sensoriais e cognitivas que não se havia experimentado antes na humanidade.

O movimento é muito forte em outros países, mas ganhou diversos adeptos no Brasil, pessoas que implantam chips, imãs e todo dispositivo que possa auxiliar ou expandir suas capacidades. Pode parecer estranho, mas o movimento, também conhecido de “H+” tem por bases a nanotecnologia e a substituição de partes do corpo humano.

Uma alusão a tal tendência podemos ver no filme RepoMen, estrelado por Jude Law, que conta a história de uma dupla de mercenários contratados para retirar os órgãos mecânicos dos transplantados que não pagaram a mensalidade pelo serviço. Semelhante como fosse “cortar a luz por falta de pagamento”. Apesar da brutalidade do filme, demonstra que o acesso aos órgãos era para todos, porém, sua manutenção custava caro, fazendo com que os transplantados vivessem em guetos ou fugindo dos “cobradores”.

Cena do filme RepoMen

Mesmo que benéfica do ponto de vista humano, a transumanisação, mesmo que de livre acesso, se for cobrada posteriormente poderá dividir a sociedade entre os que podem manter-se com capacidades aumentadas e aqueles que não poderão. Muito pior que a inteligência artificial (AI) e uma “revolução das máquinas”, esse movimento poderá dicotomizar a população mundial, não por seu poder aquisitivo, mas pela ausência da capacidade que detém.

Claro que o ser humano se distancia como ser e torna-se a cada dia mais máquina: frio, racional e calculista. Portanto, antes de agregarmos a nós mais “máquina”, precisamos agregar mais amor, solidariedade, verdade e paz, que com certeza nos faz mais falta do que um olho biônico ou um chip subcutâneo.

 

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