Ruim? Nem tanto

porJeronimo Molina

Ruim? Nem tanto

E mais uma vez ligo a TV para assistir um noticiário e me deparo com a seguinte manchete: “A violência cresce em nosso estado”. Desisto de assistir tal programa e acesso a internet pelo smartphone e na capa do meu portal favorito tem essa: “GM paralisa as atividades e deixa 10 mil funcionários de férias coletivas”. Sim, nos últimos tempos somente vemos notícias ruins. E o mais otimista chega a falar – com um tom até mesmo de depressão – vai piorar.

Nós, humanos vivemos um tempo onde não enxergamos que as coisas estão melhores, e não falo em questões políticas, mas falo em questões de vida. Há 50 anos atrás não existiam tantos médicos, há 20 anos ter uma linha de telefone era “coisa de rico”, há 10 anos a grande maioria dos jovens não tinha sequer a chance de cursar uma faculdade.

Apesar do partido A e do político B querem se apropriar dessas melhoras, todos nós sabemos que a vida melhorou graças ao esforço das pessoas. De nada adianta acreditarmos piamente que os preços irão subir, que os crimes irão aumentar, que acontecerão desempregos em massa, entre outras mazelas humanas. Isso sempre aconteceu, sempre acontecerá, faz parte da vida altos e baixos.

Pode parecer até mesmo romântico em demasia, mas sempre quando vemos o “copo mais vazio do que cheio” imaginamos nosso futuro caótico, frio e calculista. Em uma visão mais otimista talvez próximo ao livro 1984 de George Orwell, onde todos seremos controlados por um ser fantástico chamado de grande irmão.

Nós infelizmente não acreditamos que vivemos na melhor época da humanidade porque não estamos acostumados a pensar assim. Nossa visão limitada de mundo, nossa educação que muitas vezes é ultrapassada e o sensacionalismo da mídia nos deixa mais ignorantes perante aquilo que melhorou.

Os acadêmicos Hans e Ola Rosling criaram a Gapminder Foundation organização sem fins lucrativos que desenvolve pesquisas de conhecimento do mundo, ou melhor, sobre aquilo que o mundo realmente é. Com base nos dados por eles coletados identificaram que o mundo não é tão ruim quanto parece. Na palestra por eles proferida ao TED eles demonstram diversos indicadores que a vida melhorou e muito nos últimos anos.

Sempre que pensamos sobre como está o mundo acreditamos que o mesmo piora a cada dia, mas dados comprovam o contrário: a expectativa de vida da população agora é 70 anos, a maioria das mulheres passam mais de 7 anos na escola, somente 30% dos ricos do planeta vivem na Europa ou EUA. E muitos outros dados demonstram isso.

Ao verificar alguns dados sobre o Brasil vi que em 1991 somente 38% das mulheres entre 15 e 24 anos trabalhavam, em 2000 esse número subiu para 40% e no ano de 2007 já estamos em 43%, ou seja, um crescimento 5%. Em termos de PIB per capita o número é muito maior: saímos de pouco mais de U$S 9 mil dólares per capita anuais em 1991 para US$ 12.800 dólares per capita anuais em 2007. Não podemos creditar e aceitar que as coisas irão piorar, até mesmo porque os números não mentem.

Claro, não estamos passando por momentos muito bons, mas melhoramos muito até então, e mesmo que o partido A ou político B queiram se apropriar dessas melhoras, sabemos que os responsáveis por tudo isso somos nós. Portanto não podemos ficar acreditando que irá piorar, pois assim iremos acreditar que não somos capazes de fazer acontecer novamente. Eu acredito no potencial de cada um nós para melhorarmos essa situação; a propósito passamos por inflação de 80% ao dia, confisco de poupanças, falta de produtos em supermercados, e ainda estamos aqui, vivos.

E você também acredita em si?

Sobre o Autor

Jeronimo Molina administrator

Deixe uma resposta