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Ser mediano?

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Ser mediano?

Pensar somente em obter a média é o mesmo que autossabotagem

A figura acima mostra o famoso cubo de Kubrik, ou cubo mágico. Sucesso nos anos 1980, o tal brinquedo deixava quem tentava emparelhar as cores em todas as faces maluco. Antes das redes sociais, da internet ou dos chats, esse cubo enchia as crianças de expectativas.

Não havia uma criança sequer que não quisesse desvendar o segredo, surgiram campeonatos, quem tinha esse “dom” era praticamente considerado um semi-deus, alguém advindo de um outro planeta, quase um vulcano. Em outras palavras, crianças (e alguns adultos) tinham um objetivo, um norte, uma missão, algo que realmente faria com que chegassem em algum lugar.

Outro dia, questionei alguns alunos se eles tinham objetivos pessoais claros. Para minha surpresa poucos levantaram a mão. Independente da idade de cada um deles, poucos dizendo que sabiam onde queriam chegar demonstrou a mim que estamos gradativamente nos confortando com o básico.

Assim como Maslow e sua pirâmide explicaram, para alguns de nós basta estar até o segundo estágio das necessidades do ser humano, basta ter um emprego e sobreviver. Os sonhos e as vontades ficam em um segundo plano, relegados ao acaso da vida.

No melhor estilo Martinho da Vila e sua música, a vida leva essas pessoas sem rumo por qualquer lugar como um rio deságua por aí. As potencialidades dessas pessoas ficam a mercê de uma régua, um limite. Esse limite tem o nome de média. “Professor qual é a média mesmo?”, escuto volta e meia de meus alunos. Agora o que faz esse ou aquela querer permanecer na média?

Existe na sociedade brasileira o pensamento vira-lata. Nada produzido aqui tem valor, nada daqui é tão bom assim, e pior nada daqui é feito com qualidade acima da média. Gostamos da média, queremos a média, nos contentamos com a média. Exemplo de serviço acima da média, combatido com unhas e dentes por alguns que adoram a média é o Uber.

Relativamente simples, adequado, econômico e de boa qualidade, o Uber é sinônimo de serviço acima da média. Tem em sua cartilha básica uma série de requisitos que o motorista deve cumprir, deve agradar o cliente para que este retorne e principalmente não está limitado a média. Mas não se restringe ao Uber.

Um grupo de taxistas de Fortaleza, a Gold Táxi 9001 quer estar acima da média. Segundo o portal Tecmundo, um grupo de 30 taxistas oferecem wi-fi, lanches e água aos passageiros.

Taxistas da Gold Táxi 9001 (Fonte: Tecmundo)

Estes taxistas não esperneiam para ficar na média, se superaram estão atuando acima da média, além do complexo de vira-lata do brasileiro.

Dar a si próprio um limite para seu crescimento pessoal é autossabotagem. As potencialidades do ser humano podem ser crescentes devido ao aprendizado. Negligenciar esse potencial torna a pessoa um mediano, um medíocre.

Medíocres não conseguem montar o cubo mágico, desistem na segunda tentativa. Se contentam com o outro colocando todas as pecinhas no lugar. Observam o vizinho e sua nova casa, olham para o carrão do chefe, notam o novo penteado da amiga, mas só ficam ali, de longe. Desistem da ambição, do tesão de viver, de sonhar, de criar, de produzir. Preferem a aposentadoria a continuar construindo, preferem a solidão a conquistar um amor, preferem a mesmice.

Certa vez, quando eu ainda trabalhava em uma montadora de tratores, uma colega mencionou que não estava na empresa como “uma pessoa que veio ao mundo a passeio”. As pessoas que vem ao mundo a passeio acabam sendo medianas. Pessoas medianas são pessoas limitadas, não acreditam que podem obter o sucesso, simplesmente sobrevivem.

Não querer ser uma pessoa mediana é algo que todos almejam, mas poucos realmente buscam. Ser alguém acima da média é fruto de determinação, esforço, foco, e uma dose (pequena) de sorte. Graças a esses fatores poucas pessoas estão dispostas a estar acima da média, poucos querem abdicar de tempo, dedicação, esforço para estar em destaque.

Você ainda quer ser mediano?

 

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