Será que o marketing falhou?

porJeronimo Molina

Será que o marketing falhou?

Passada praticamente uma semana após as eleições partidos derrotados tentam encontrar um motivo que levou uma coligação de 21 partidos perder o pleito. Em reuniões a portas fechadas diretórios, presidentes de partido, entre outros buscam entender o que fez Néspolo perder para uma coligação pequena, sem dinheiro. O que faltou para Néspolo vencer a eleição? Será que o marketing falhou?

Um pequeno, mas importante aspecto foi a distância do candidato Edson Néspolo do público em geral. Como o mesmo não tinha contato frequente com as pessoas (como um vereador, por exemplo) se tornava impossível que a sociedade se refletisse nele. Ou seja, o tornava como um alguém que não era verdadeiramente do Povo. A única forma de mostrar que ele estava próximo das pessoas seria ligar a imagem dele com a Festa da Uva, que não surtiu efeito. As camadas mais pobres da população não frequentam a Festa da Uva, somente vão as shows mais populares. Portanto, pouco importava para elas quem seria o presidente da festa.

Outro aspecto importante foi qualificar Néspolo como bom gestor. Não entrando no mérito da capacidade profissional, o apelo para reforçar essa ideia foi muito forte. As pessoas acabaram até mesmo brincando com a frase “mão do Néspolo”, demonstrando para as pessoas que em tudo havia a mão dele. Caxias não é uma cidade muito grande, são poucas as pessoas envolvidas com política, assim, dizer que tudo foi obra de um candidato se torna eufemismo.

A soma de uma presença relativamente pequena na comunidade como um todo piorou ainda com o discurso de ataque. Se tinha como potencial tendência atacar o candidato do PT, Pepe Vargas, para com isso conquistar votos daqueles que participaram dos protestos contra o governo de Dilma Rousseff. Em outras palavras, a coordenação de campanha de Néspolo queria surfar na onda da direita conservadora e dos liberais. No entanto se esqueceram de um detalhe: o PDT é um partido de esquerda. Para piorar o PDT a nível nacional foi contra o impeachment, expulsando quem votou favorável. E ainda piorou mais quando Ciro Gomes veio para Caxias duas vezes apoiar Néspolo, chamando Guerra de “fascista” e etc.

Por incrível que pareça a população de Caxias prefere prefeitos com alinhamento ao conservadorismo, mesmo que seja de fachada. Isso aconteceu com José Ivo Sartori que foi prefeito durante oito anos e com Alceu Barbosa Velho que está terminando seu mandato. Ambos se utilizavam da força das tradições (italiana e gaúcha) para angariar votos. Algo que Néspolo não tinha.

Sem estrutura de personagem, a coordenação se viu obrigada a utilizar os vereadores eleitos (isso já no segundo turno) para conquistar os votos deles para o candidato da majoritária. Além de parecer absurdo, essa estratégia demonstrou fragilidade da base para o eleitor. Quando um vereador pede para votar no seu candidato a prefeito, demonstra que ele não gosta do outro candidato. Assim, foi muito bem explorado pelo candidato Daniel Guerra como iriam os vereadores votar na cidade, reforçando essa premissa.

Permeando tudo isso, o candidato atacava o adversário o tempo todo, deixando o debate das propostas para a cidade em segundo plano. A população já estava acostumada com este tipo de agressão verbal na era do PT, portanto o vínculo ficou simples. Para piorar, nos programas finais tentou ainda conquistar votos da esquerda caxiense com o discurso de que Guerra era “fascista”. Não colou.

A retórica da esquerda caxiense se baseia na tese de “golpe”, portanto não se pode vincular a figura de Guerra com a retórica do “fascista” ou “reacionário”. Até mesmo porque, enquanto vereador ele votou diversas vezes com PT e vice versa. Sem contar que boa parte do primeiro turno o candidato do PDT atacou Pepe, deixando uma mágoa nos petistas e eleitores do deputado federal.

Nos últimos programas foi tentado ainda criar a imagem do candidato pedetista como se fosse uma pessoa humilde e do Povo, mas daí já era tarde. Depois de praticamente toda a campanha estar atacando os adversários, ficava difícil reverter o resultado que saiu das urnas.

Redes sociais

Durante toda a campanha as redes sociais foram usadas para disseminar o conteúdo dos candidatos. O candidato do PRB utilizou de apoiadores anônimos para articular a presença nas redes sociais, assim se tinha a impressão que o marketing digital do republicano era vasto e grande. No entanto era pouco divulgado, sendo o conteúdo replicado pelos apoiadores.

Para se ter uma ideia, a página de Daniel Guerra tinha em média 30 a 60 curtidas por post publicado antes das eleições. Durante o pleito permaneceu nessa média, com alguns picos. Agora os compartilhamentos de conteúdo aumentaram, sendo as vezes um post compartilhado mais de 100 vezes.

No que tange as redes sociais a equipe de Néspolo foi montada com esse objetivo. Porém diversos apoiadores do candidato eram conhecidos cargos de confiança da atual gestão, mostrando assim que os posts e comentários eram “simplesmente com interesse” (mesmo que não fossem). Para piorar diversos apoiadores baixaram o nível nos comentários, com agressões aos apoiadores de Guerra, seguindo a tônica da campanha do candidato do PDT. Isso criou uma animosidade nas redes sociais nunca vista em Caxias.

Mesmo que o candidato Néspolo tivesse diversas curtidas em seus posts, a maioria deles era curtidas para aumentar a alavancagem da publicação, sem a ideia de naturalidade. Com isso as pessoas começaram a referenciar a campanha nas redes sociais com a campanha da TV e rádio, tornando assim a campanha mais difícil no que tange do marketing digital.

Resumindo

Não se sabe ao certo qual a estratégia da campanha de Edson Néspolo, pelo contrário, dava a impressão que não se tinha uma estratégia de marketing bem elaborada. Não havia uma preocupação em transmitir uma mensagem propositiva ao eleitor, pelo contrário.

Se tentou utilizar do discurso duro e achacante dos movimentos de rua para com o candidato do PT, porém não foi avaliado o impacto que este candidato tinha na população, mesmo depois do impeachment. Foi utilizado a premissa do “acredito que”. A utilizando de marketing de fonte, levando outros políticos para falar no rádio e TV foi pequena, fazendo repercutir mais a presença de Ciro Gomes do que a fala de Germano Rigotto.

A quantidade de partidos políticos, com pensamentos antagônicos esvaziou o discurso de unidade propagado durante a campanha, cabendo aos partido o papel secundário de se preocupar com seus candidatos a vereador. Com isso todos cabos eleitorais e militância estavam imbuídos em levar mais votos na proporcional, deixando a campanha majoritária em “ponto morto”.

Também se criou a expectativa do “já ganhou”, ficando evidente depois que foi divulgada a última pesquisa de intenções de votos para o segundo turno. Assim a militância se perdeu no contexto ficando a deriva.

Consequências

É cedo para dizer quais serão as consequências dessa eleição. Contudo se sabe que a união que havia entre praticamente todos os partidos políticos acabou. Isso pode levar a construção de pequenos núcleos menores, seguindo exemplo da coligação do Prefeito eleito. Ou se pode optar ingressar no governo de Guerra para obter musculatura em 2018 e concorrer em 2020.

No entanto podemos afirmar que o tempo da política será outro em Caxias, e em 2020 haverão mais candidatos a prefeito fortalecendo assim a democracia.

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