Seria a direita crescendo ou populismo ressurgindo?

porJeronimo Molina

Seria a direita crescendo ou populismo ressurgindo?

Com a vitória de Donald Trump nas eleições americanas vemos diversos comentários sobre o crescimento da direita no mundo todo. Também pudera. Nos últimos anos vemos a intromissão do Estado na vida cotidiana das pessoas, com a prerrogativa do politicamente correto ou da necessidade dos menos favorecidos. A população economicamente ativa cansou disso.

Com base nessa premissa diversos países pelo mundo todo estão dando votos para candidatos de fora do mundo político, em uma tentativa desesperada em construir um mundo mais próximo do real, com pessoas de verdade. Se não bastasse as pessoas anseiam por mais liberdade, seja da forma de criar seus filhos, professar uma crença ou comer o que quiser. Ninguém quer ter um estado paternalista tomando conta, preferem caminhar com as próprias mãos.

Não é atoa que acontece esse movimento para um lado mais liberal. Nos últimos anos toda a economia mundial amargou crises em cima de crises. Desemprego, inflação e falta de investimentos foram manchetes comuns em diversos jornais ao redor do mundo. Na Grécia ainda juntam os pedaços de uma crise que absorve boa parte do PIB com despesas públicas, na Inglaterra a população quer se ver livre da União Européia antes que leve todo o continente para o buraco, na Alemanha há uma perda de identidade nacional latente dando vazão para quem defenda estados fortes, no Brasil nem precisamos falar.

No entanto, essa inflexão para a direita pode ocasionar uma inflexão para o conservadorismo exagerado, aquele que não admite diferenças, caminhando para o autoritarismo e o nacionalismo. Estes seriam ingredientes suficientes para tornar o mundo instável.

Frauke Petry, líder do partido AfD na Alemanha. (Sem créditos)

Vemos isso no partido AfD na Alemanha: com uma agenda conservadora e nacionalista, o partido, tendo por líder Frauke Petry, se auto intitula euro-cético e contrário a imigração. Seus objetivos são flexibilizar as regras da União Européia, acabar com o Euro e impedir a entrada de imigrantes islâmicos no país. Algumas propostas de Trump são semelhantes as do AfD, principalmente aquelas relacionadas ao protecionismo como a deportação de imigrantes ilegais e a criação de barreiras tarifárias para produtos importados.

Marine Le Pen, presidente do partido francês Frente Nacional (AFP)

Na França vemos um crescimento assombroso do partido Frente Nacional, presido por Marine Le Pen, que tem por bandeiras o nacionalismo, o conservadorismo, o protecionismo, tudo permeado pelo euroceticismo. Nas eleições regionais ocorridas no final de 2015, o partido obteve um expressivo crescimento, tudo isso graças aos ataques ocorridos no mesmo ano em Paris e Nice. Há um forte indicativo do partido apresentar candidato a presidência ano que vem, e provavelmente vencer.

Brasil

Por aqui não é diferente. Apesar do tom mais moderado que em outros países, os eleitos nas eleições municipais em grandes cidades demonstram que esperam criar uma ruptura com o antigo modo de fazer política. Mesmo participando da política, Nelson Marchezan Jr. (PSDB) foi eleito prefeito de Porto Alegre com um discurso de reformas, da mesma forma que João Doria (PSDB).

Nelson Marchezan Jr. (PSDB), prefeito eleito de Porto Alegre (Veja.com)

Ambos tem em comum sua aproximação com a realidade vivida diariamente pelo Povo brasileiro. Suas propostas são possíveis, sempre buscando a melhoria na qualidade de vida da população. Agora, a razão pelo qual foram eleitos são as mesmas dos outros países: descrença nos políticos tradicionais.

Essa descrença fez com que Jair Bolsonaro (PSC/RJ), pretenso candidato a presidente em 2018, com uma agenda nacionalista e conservadora se ficasse animado. Ele sabe que existe uma onda de liberdade correndo o mundo, e todos aqueles políticos que mascaram a “verdade” perderam espaço. Porém pode abrir espaço para outro tipo de político.

Futuro

A perda de credibilidade nos políticos — no passado — levou o crescimento de partidos autoritários e nacionalistas. Isso ocorreu na Alemanha e na Itália em 1930. No Brasil também na mesma época, vivemos uma ditadura nacionalista, que em nada representava os anseios de liberdade da população.

Essa aproximação com o conservadorismo extremo, a repulsa do outro por ser diferente, a falta de critérios para estabelecer políticas de interesse público, pode causar um efeito dominó. Alicerçado na desconfiança e descrença nos políticos tradicionais, a população poderá escolher um modelo de gestão que mais afasta do que une.

Com o afastamento da globalização que vivemos poderemos obter no futuro um mundo mais dividido, onde as diferenças não serão simples diferenças. Isso dará espaço para líderes cada vez mais dicotômicos, empurrando quem precisa para a base da pirâmide social e criando uma divisão por classes pior até mesmo aquela proposta por Karl Marx.

Portanto precisamos estar vigilantes com essa nova onda mundial, que se for moderada ou controlada poderá representar um tempo de liberdade, mas se for desmedida e intempestiva poderá nos fazer perder o pouco de liberdade que tínhamos.

Sobre o Autor

Jeronimo Molina administrator

Deixe uma resposta