Caxias do Sul, RS
54 | 981001395
contato@jeronimo.co

Você é do bem ou do mal?

#RSdeNovoGrande

Você é do bem ou do mal?

O moço da foto é do mal, certo? Quem sabe.

Lemos nos livros de história e aprendemos na escola que na Segunda Guerra haviam <em>bons e maus</em>. Isso é simples de se compreender: a história é escrita por quem vence a guerra, e não diferente do normal, a história foi escrita assim: os nazistas eram do mal e os aliados do bem. Leis foram cunhadas sob essa égide, livros foram escritos da mesma forma, artigos foram publicados com esse pensamento. Agora, depois de mais de 70 anos do final da Segunda Guerra, podemos dizer – descolados do pragmatismo histórico – que diante da visão dos alemães nazistas Hitler era tão mal assim.

E Hitler não se julgava alguém perverso ou mal, muito pelo contrário. Por diversas vezes seu ângulo de visão – que passeava da megalomania até o narcismo compulsivo – acredita piamente que estava a concretizar a obra de Deus. Em um de seus discursos Hitler disse: “<em>Acredito hoje que estou agindo de acordo com o Criador Todo-Poderoso. Ao repelir os Judeus estou lutando pelo trabalho do Senhor.</em>”, demonstrando claramente que acreditava estar realizando um propósito correto. Se Hitler acreditava estar realizando algo grandioso, a ponto de se considerar emissário de Deus, o que dirá qualquer pessoa.

A perspectiva de acreditar que se está realizando algo do “bem” ou do “mal” é diferente da crença de de fazer algo bom ou ruim. Quando fazemos algo bom – ajudar uma pessoa por exemplo – estamos realizando um feito maior, algo diferenciado, que é aceito e agraciado por ser algo moralmente aceito. Ao ponto que algo é ruim, quando não é moralmente aceito. A característica básica do bem ou do mal é a ausência de virtude, o que é muito mais complexo de se medir. Não justifica, claro, mas exemplifica porque terroristas se explodem com bombas por aí: acreditam estarem fazendo algo virtuoso, e cheios de virtude poderão entrar no céu e “agarrar” suas setenta virgens.

Além disso, as virtudes mudam com o tempo: um homem bom cinquenta anos atrás é diferente de um homem bom nos dias de hoje. As virtudes alteram porque nosso código moral também muda de acordo com o tempo. Por exemplo: hoje mãe solteira é comum e normal, mas imagina ser mãe solteira na década de 1920?

Mesmo com o código moral e as virtudes alterando de tempos em tempos, para tomarmos decisão acertada quanto ao nosso ato precisamos primeiro nos colocar no lugar do outro e de seu conjunto de crenças e valores morais. Por exemplo: você poderia até jogar ovos no padre de sua paróquia, mas com toda a certeza iria ser considerado alguém mal. Seu julgamento de valores deve ser baseado no outrem e jamais em si próprio. Assim poderá determinar se sua atitude é do bem ou do mal.

Seria um passo para admitir se você é do bem ou do mal, agora, com clareza isso jamais poderia acontecer, pois até Hitler se achava bonzinho. É simples entender o motivo: tudo depende da circunstância. A perspectiva depende do momento que o ato acontece, e dependendo do ato devemos nos colocar no lugar do outro.

Não podemos determinar se somos plenamente bons ou maus, mas podemos ao menos aceitar as diferenças e a moral de cada indivíduo, com certeza assim poderemos ser menos tendenciosos a ter menos virtudes e sermos mais maus.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *